Jornal do Brasil

Coisas da Política

Coisas da Política

Rio do desemprego e das lojas fechadas

Jornal do Brasil PAULO RABELLO, rabellodecastro@gmail.com

A realidade angustiante da falta de vagas na cidade e no estado do Rio de Janeiro ganhou estatística comprovando a queda no número de carteiras assinadas em 2019. Na esteira dessa notícia triste e ruim para a imensa massa de trabalhadores cariocas e fluminenses, vem a CNC - Confederação Nacional do Comércio - a confirmar o recuo da atividade terciária no Rio, pelo fechamento recorde de lojas no ano passado. Isso aconteceu na cidade e no conjunto do Estado. Nenhuma outra unidade da Federação teve comportamento tão negativo. São Paulo, por exemplo, abriu milhares de novas lojas, superando os encerramentos de negócios. Em números absolutos, São Paulo foi o campeão em abertura de negócios, enquanto a dinâmica Santa Catarina ficava em segundo lugar.

Não estamos só perdendo vagas e negócios novos para outras cidades. Estamos perdendo oportunidades contra nós mesmos. O padrão de governança da cidade é abaixo da crítica. Não encaramos com decisão e seriedade a virada radical que precisa ser feita. O povo já sabe disso faz tempo. Desde o início da crise econômica e política que começou em 2014 o estado do Rio viu ser destruído mais de meio milhão de empregos. Não adianta o estado ser rico como é, rico em força humana, talento e profissionais, tradição científica e berço das artes, rico em petróleo e dotado de orçamentos públicos bilionários. Ao andar pelas ruas do Rio não percebemos nada disso. A força do Rio está dissipada, morta. Nossos disjuntores de energia espiritual e moral foram desligados. Viramos uma massa política meio amorfa, onde prevalecem as vontades dos valentões.

A virada do Rio se torna inevitável. Tem que acontecer antes que a má fama que nos cerca, embora injusta, nos devore as chances de superação. Basta ver o episódio trágico do desmonte da imagem da Cedae, a empresa estadual de água e esgoto. A empresa não vem bem há muito tempo. Mas a crise da geosmina não precisava ter acontecido. Foi desleixo gerencial dos mais graves, contribuindo para jogar no chão a reputação da empresa e dos gestores públicos. Há males que vêm para bem. A empresa passaria por um processo de venda apressada que agora se inviabilizou. A hora agora é de trabalhar duro para devolver confiança ao consumo de água pelos cariocas. Dever do Estado e do acanhado prefeito de quem não se ouviu sequer um pio em defesa dos direitos dos seus representados.

Por que relembro a tragédia da Cedae? Por que é ela e outras crises absurdas e totalmente evitáveis, que corroem, a cada dia, a viabilidade da cidade e do Estado em criar empregos, abrir negócios e gerar recursos para investimentos. Os empresários é que geram empregos e abrem negócios. Quando fazem o oposto, quando desempregam e fecham seus comércios, é porque toda e qualquer confiança no futuro já pulou pela janela. Crise de confiança é a pior forma de decadência.

Cada liderança empresarial desta cidade única e extraordinária e cada líder sério que ainda sobrou neste Estado, políticos incluídos, têm a obrigação moral de agir já é como máximo vigor no interesse coletivo. À população cumpre cobrar, exigir e jamais desistir. Essas mal traçadas linhas fazem coro ao esforço por um Rio 110% diferente do atual.

(*) Carioca e não desiste do Rio. Tem pronto o plano da virada pelo Rio