Internacional teocrática 

Acabou-se a Olimpíada, mas a vibração continua fora dos campos e das raias olímpicas. O brasileiro — até as padarias têm deixado a tela acesa na TV Justiça  —  ainda espera pelo justo, e, sem compreender a linguagem jurídica, a conversa que se ouve nas ruas é “vamos ver no que isso vai dar”.   

Mas hoje o mundo opera numa simultaneidade caótica. Sempre foi assim, a diferença é que a informação online nos obrigou à onisciência. Enquanto o mensalão é debatido, num canal de tevê paga pode-se assistir ao documentário sobre quem são os atuais líderes do Irã.  Imaginem, mas a realidade é pior do que parece. A estratégia persa para controlar a região é estarrecedora. Explicitamente, o regime dos aiatolás e sua guarda revolucionária traçaram planos onde o mundo é o limite. Graças aos bons negócios que empresários europeus e de muitos outros países fazem no mercado negro, o boicote internacional simplesmente não tem funcionado, faliu, conforme as câmeras da TV britânica provaram. O mercado central de Teerã repleto de mercadorias de última geração, dos americanos aos chineses. Plataformas e tecnologia para extração do petróleo foram compradas da China depois que os Estados Unidos e União Europeia se recusaram a vendê-las aos iranianos. Componentes para usinas atômicas estão chegando em dia, da Coreia do Norte e Rússia, sem prejuízos, ao cronograma para obter a bomba nuclear.

A verdade é que o regime de Teerã se internacionalizou, e é com essa ideologia que eles têm aumentado a presença em vários pontos do globo. Depois que G. W. Bush nos fez o favor de trocar o regime em Bagdá, a “internacional teocrática” aportou com força total no Iraque e já desestabiliza países na África. A presença de assessores militares iranianos e agentes políticos dentro das fronteiras iraquianas é crescente. Nas palavras de um jornalista iraniano que preferiu o anonimato: “Eles sempre consideraram o Iraque como parte do Irã, ainda sonham com o grande império persa”. 

A recente prisão de agentes da guarda revolucionária iraniana em Aleppo e a troca de agrados verbais entre Damasco e Teerã também são pistas importantes para rastrear as intenções dos sucessores de Khomeini.  Os assessores militares iranianos se uniram às equipes de extermínio de Assad fornecendo armamentos e logística para a indústria do massacre na Síria. Teerã assegura casa e comida para o clã sírio se tudo der errado.  A ONU e a comunidade internacional seguem expectadoras. De onde vem todo este descaso com os consensos internacionais?

No front, a dobradinha AA, Assad-Ahmanejahd,  já tem prontos planos derivacionistas como provocar alguma reação norte-americana ou reativar os conflitos com Israel na fronteira ao norte para criar um foco mais sustentável enquanto finalizam o serviço genocida sobre o povo sírio. A planilha incluiria ataques contra alvos via Hezbolhah repassando o máximo de armamentos para a organização terrorista que há décadas constrói sistemas de bunkers e já conta com um expressivo arsenal subterrâneo de mísseis.

Ninguém é santo no tabuleiro explosivo dos jogos de poder, a diferença brutal é que quando Israel, EUA ou qualquer país democrático faz das suas, a imprensa livre  —   cada vez mais comprometida  —   tem um colossal alcance, e assim exerce poder sobre a opinião publica interna e externa. Completamente diferente dos outros países no Oriente Médio, inexiste liberdade de expressão. Como tudo é filtrado  —   destarte assado como realidade  —   espalham-se ainda mais as fronteiras do rancor antissionista e antiamericano.

Como se não bastasse o apetite pelo jihadismo internacional, os aiatolás de longo alcance estão muito provavelmente por trás de recentes atentados terroristas com tendência a abrir filiais na América do Sul, notadamente na tríplice fronteira.  Além do escandaloso e ainda impune atentando contra a Amia em Buenos Aires, os países da tríplice aliança seguem fazendo vistas grossas a estas perigosas aproximações. Problema grave, especialmente para o Brasil, com a proximidade de dois eventos de relevância mundial.

Para completar suas metas o ditador iraniano vem usando as facilidades oferecidas pelo companheiro da Venezuela e paga a conta com pesados investimentos em infra estrutura e campanhas eleitorais. Ninguém se espante se sob os auspícios de Hugo Chávez, e a conivência de Brasília, contarmos com o Irã  como próximo convidado do Mercosul.

O que os roteiristas e assistentes esqueceram de prever no script é que a maioria não é corrompível, há exaurimento crescente pela sensação de já termos sido suficientemente manipulados, e ninguém mais quer ser escravo da causa nem viver sob o cutelo de quem diz encarnar a divindade.