O projeto presidencial de Campos 

“Já demos um sinal nacional de que não somos PT” —  declara o governador de Pernambuco, Eduardo campos, em suas conversas com políticos, dando a entender que será candidato a presidente da República em 2014. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem negado, de público, que aspire a ser candidato a presidente da República. O vice-presidente nacional do PSB  —  partido de Campos  —  Roberto Amaral, garante que a legenda apoia o governo de Dilma Rousseff. A atividade de Eduardo Campos desmente a ele próprio e a Roberto Amaral. Quinta-feira, dia 28 de junho, quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu que o PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab tem direito à sua cota no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ao fundo partidário público, houve comemoração no governo pernambucano. O prefeito Gilbertto Kassab chegou a telefonar a Eduardo Campos para demonstrar gratidão pela ajuda que lhe dera em 2011. O governador Eduardo Campos comandou o recolhimento de assinaturas no Nordeste de apoiadores que permitiram ao PSD pedir à Justiça Eleitoral o registro de sua criação. Parlamentares do PSB comemoravam a decisão no Congresso, chamando a atenção dos jornalistas para o fato de que estava garantida a candidatura de Campos para presidente da República nas eleições de 2014. Lembravam que, agora, o PSB e Eduardo Campos já dispõem de tempo de rádio e televisão, sendo o prefeito Kassab um aliado importante nesse jogo.

Desligando-se do PT

Na noite de sexta-feira da semana passada (dia 29 de junho), o governador de Pernambuco promoveu reuniões com lideranças do PSDB e do PPS de seu estado, convidando as duas legendas a fazerem parte da coligação do seu ex-secretário e candidato a prefeito do Recife, Geraldo Júlio. Essa candidatura representa um rompimento de Eduardo Campos com o PT, não só em Pernambuco mas no plano nacional, como reconhecem lideranças políticas até petistas. O neto do ex-governador Miguel Arraes trata de articular a sua candidatura no plano nacional, ele que precisa atrair forças políticas importantes para dar esse salto de longo alcance. A candidatura de Geraldo Júlio, um técnico que jamais enfrentou as urnas, é algo que ultrapassa as fronteiras de Pernambuco. Em uma de suas conversas com políticos, o governador Eduardo Campos declarou: “Já demos um sinal nacional de que não somos PT”.

Campos pensa em São Paulo

Mas o governador não conseguiu convencer os partidos de oposição, tanto que o PSDB já realizou sua convenção para lançar a candidatura a prefeito do Recife do deputado estadual Daniel Coelho. Aliou-se ao PPS, que indicou para candidato a vice-prefeito Débora Albuquerque. A oposição dá a entender que apoiará o candidato de Eduardo Campos, se ele for para o segundo turno contra o adversário do PT, o senador Humberto Costa. Há três meses, o senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB de Pernambuco, adversário de Eduardo Campos, fizera um comentário que soou como uma advertência. Jarbas dissera que, se Eduardo Campos tinha a pretensão de se lançar nacionalmente, teria de se afastar do PT. Certamente Jarbas Vasconcelos não imaginava que seu conselho seria seguido pelo governador de Pernambuco com tanta rapidez. O senador Jarbas Vasconcelos aplaudiu o ingresso do PMDB na coligação articulada pelo governador Eduardo Campos contra os petistas no Recife. Mas Campos entrou em conflito com o PT no Recife, sem comprometer as suas relações com o ex-presidente Lula, que continua cultivando com atenção e cuidado.

Campos não briga com Lula

Tanto que, por sua iniciativa, o PSB está na chapa de Fernando Haddad, o candidato de Lula e do PT a prefeito da capital paulista. Mas, por incrível que pareça, Eduardo Campos também tem suas relações com o PSDB paulista, inimigo de morte de Lula e do PT. A aliança com Haddad fez o PSB perder a Secretaria de Turismo no governo de Geraldo Alckmin. O deputado federal Márcio França (PSB-SP), que era o titular da pasta, foi obrigado a pedir demissão. Antes de voltar à Câmara como deputado, Márcio França teve uma conversa com o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, a quem informou que o governador Eduardo Campos tem um acordo com o PT que não se estende a 2014. Ou seja, ele poderá ser candidato a presidente da República nesse pleito. E não está descartada a possibilidade de apoio do PSB à candidatura do governador Alckmin à reeleição, mais uma prova de que Campos conduz seus passos pensando em ser candidato a presidente em 2014. Campos sabe que ninguém pode ser candidato a presidente da República sem pensar em São Paulo, que detém o maior contingente eleitoral do país. E o governador pernambucano caminha para fazer essa articulação.