Política sem hipocrisia 

A presidente Dilma age politicamente por intuição e independência . Sabe que tem de negociar, conciliar, dialogar, mas tem demonstrado saber que limites são limites. E ela tem embasamento ético e sabe o que é certo e o que é errado. 

Talvez por isso, e por transmitir esta percepção à opinião publica, esteja tão bem nas pesquisas . E quem for honesto na oposição tem de saber que na crise dos ministros ela sabe separar um Nelson Jobim de um Carlos Lupi . O ministro Fernando Bezerra se saiu bem no Senado e é um homem público de história  familiar . Os Coelhos de Petrolina sempre estiveram presentes, sua vó era a matriarca da familia e o tio Nilo, o governador que criou a zona de irrigação, exemplo mundial. Lá se  produz até vinho de boa qualidade. O tio Oswaldo, com mais de oitenta anos, foi excelente deputado e defensor das causas da familia .É gente que entrou na  política para servir . E se mandou mais recursos para seu estado naturalmente foi por conhecer melhor a situação aflitiva de seus  municípios e sem outras intenções. Não precisa disso. Este passa na crise. 

Com Fernando Pimentel a situação é um pouco diferente. Ele tem, sim, de explicar a imprensa, e através dela ao Brasil, aquelas "consultorias orais " estranhas e cheias de controvérsias . Não pode achar que  o assunto está encerrado. Uma pena, pois é dos melhores quadros do PT, foi bom prefeito de Belo Horizonte e é da confiança da presidente.Mas o Brasil está acima de tudo, e neste momento a questão ética está na cabeça e na cobrança de todo mundo. Caso a imprensa não desista de pedir as informações que Pimentel entenda como dever não fornecer, é preciso criarem-se as condições honrosas para sua saída, nem que seja para disputar a prefeitura de BH .

A presidente que parece não alimentar aspirações a um segundo mandato quer cumprir a missão e fechar sua biografia com louvor. Logo, sem ferir amizades e lealdades, vai seguir seu caminho. E vai conquistando os segmentos formadores de opinião, que na eleição estiveram divididos entre ela e seu oponente, que vinha de uma longa caminhada na política, desde a UNE e do  histórico comício de Jango no dia 13 de março de 64, no qual foi orador. Por isso é que não teve a totalidade dos votos do centro-conservador, que tem memória. 

Algumas posições mostram sua autenticidade, como a defesa da liberdade de imprensa contra o que pensam alguns dirigentes do PT, as relações com países de posições exóticas como o Irã ,a isenção em relação a colaboradores que erram, que, se não são  acima de qualquer suspeita, devem parecer ser  como a mulher de César da história. E deixar de fora do governo aqueles que desde sempre gostaria de os ver distantes. 

Foi eleita por um grande eleitor — o presidente Lula — mas pode vir a ser a grande eleitora em 2014, pelas suas atitudes firmes em muitos casos relevantes. 

Diria que falta a seu governo apenas baixar o  nível de tolerância com a turma da baderna — invasões do MST, greves em estatais , "quilombolas" , revanchismo barato de ressentidos que vivem de olho no retrovisor. Liberta de seus radicais e melhores executivos para que o PAC não viva emperrado, pode vir a ser uma surpresa como governante com real apoio da sociedade, das suas forças mais representativas, sem a política de curto prazo que ameaça a paz e a prosperidade de muitos de nossos vizinhos. 

Pode vir a ser como JK e Itamar, que souberam  governar  sem hipocrisias.

* Aristóteles Drummond  é jornalista. - [email protected]