Coreia do Sul, 1ª no mundo a propor cobertura 5G nacional

Tecnologia é o centro de uma guerra de influência entre China e EUA

A Coreia do Sul será, na sexta-feira (3), o primeiro país a propor, para todo território nacional, redes 5G e celulares compatíveis, dando um grande passo na corrida tecnológica mundial para revolucionar as comunicações.

A quinta geração de redes móveis deverá permitir estar conectado por toda parte o tempo todo, tornando possível o funcionamento dos veículos autônomos, serviços médicos a distância, ou de cidades inteligentes.

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Moradores carregam seus celulares em Sapporo (Foto: AFP PHOTO / JIJI PRESS / JIJI PRESS / Japan OUT)

A tecnologia 5G é um dos terrenos da guerra de influência entre China e Estados Unidos. Washington tenta convencer seus aliados a não confiar a implantação da 5G à empresa chinesa Huawei. A companhia é acusada de espionar países ocidentais para Pequim.

A Coreia do Sul, um país hiperconectado, é o primeiro a dar acesso 5G a todos os seus habitantes por meio de três operadoras: KT, SK Telecom e LG UPlus.

KT e SK Telecom disseram à AFP que não usaram tecnologia Huawei, mas o grupo chinês é fornecedor de infraestruturas para a rede da LG UPlus, afirmou a empresa.

O governo de Seul fez da rede 5G uma prioridade para estimular sua economia.

Esta nova tecnologia proporciona uma velocidade de conexão à Internet 20 vezes superior à 4G, o que permitirá, por exemplo, baixar um filme em menos de um segundo.

Segundo a operadora KT, a 5G "poderá conectar um milhão de aparelhos simultaneamente em um quilômetro quadrado".

Após as redes 3G e 4G, a 5G é um novo marco no nível de conectividade, em particular para os objetos. Uma das inovações mais esperadas são os carros sem motorista.

Segundo a organização Global System for Mobile Communications, a 5G pode gerar 565 bilhões de dólares de receita para a economia mundial em 2034.

A extensão das aplicações práticas desta nova tecnologia também explica que já tenha se tornado uma fonte de contenciosos e rivalidade entre Estados Unidos e China.

Washington lançou uma grande ofensiva para convencer seus aliados - sobretudo, europeus - a excluírem a adoção da tecnologia 5G da Huawei. O governo americano a considera uma ameaça por causa de seu fundador, Ren Zhengfei, de 74 anos, ex-engenheiro do Exército chinês.

A Huawei é considerada mais eficaz do que seus concorrentes. Segundo a consultoria IPlytics, registrou 1.529 patentes.

Seu equipamento está sendo acusado, porém, de permitir ao governo chinês espionar as comunicações dos países que o usarem. As leis chinesas obrigam os grupos, cuja sede esteja na China, a ajudar tecnicamente os serviços de Inteligência.

Somando os da Huawei e de outras entidades chinesas, o país reivindica um total de 3.400 patentes 5G, mais de um terço do total mundial.

A Coreia do Sul aparece em segundo em número de patentes, com um total de 2.051. As empresas americanas vão atrás, com 1.368.

Na sexta-feira, a Samsung Electronics porá à venda seu telefone Galaxy S10 5G, o primeiro no mundo a funcionar com esta tecnologia. A concorrente LG lançará o V50s duas semanas depois.

O vice-presidente da KT, Lee Pil-jae, prevê que mais de três milhões de sul-coreanos usarão a 5G até o fim do ano.

Nenhuma rede no mundo oferece hoje acesso nacional com 5G.

Em algumas cidades americanas, existem pontos de acesso que permitem experimentar a vitalidade desta nova tecnologia, mas apenas em wi-fi.

A companhia do Catar Ooredoo oferece 5G em Doha e seus arredores, mas não tem os telefones para utilizá-la.

A americana Verizon implantará a rede 5G para seu celulares em Chicago e Minneapolis na próxima semana e, depois, fará o mesmo em outras 30 cidades.

O Japão prevê a instalação limitada este ano antes da oferta de um serviço total previsto para os Jogos Olímpicos de 2020.

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