Telemedicina em pauta no Fórum Inovação Saúde

Nesta terça-feira (12), no Centro Empresarial Mourisco, em Botafogo, Zona Sul do Rio, o Fórum Inovação Saúde vai debater o tema do momento na saúde: a implantação da Telemedicina – Suas Controvérsias e Necessidade.

Participarão do debate Claudio Lottemberg, Presidente da UHG – UnitedHealth Group, Chao Lung Wen, especialista em telemedicina e professor. da USP, Francisco Balestrin - Presidente da Federação Internacional de Hospitais (IHF) e o deputado federal e médico Luiz Antonio Teixeira. O debate será moderado pelo médico e gestor de saúde Josier Vilar - presidente do FIS- Fórum Inovação Saúde.

O FIS – Fórum Inovação Saúde é um evento que reúne a cada dois meses as principais lideranças do setor de saúde de todo o Brasil, e tem como objetivo discutir sete importantes eixos temáticos que são a governança, gestão, regulação, educação, financiamento, modelos de assistência e empreendedorismo na saúde.

Segundo Josier Vilar, ”neste FIS o tema escolhido foi a Telemedicina, em função da enorme polêmica no meio médico, depois que o CFM - Conselho Federal de Medicina baixou resolução que definiu os critérios para introduzir a prática da Telemedicina no país. A medida, que foi suspensa para que seja melhor analisada, autorizava, por exemplo, médicos brasileiros a realizar consultas on-line, assim como telecirurgias e telediagnósticos “.

“A Telemedicina, prossegue o Dr. Vilar, "existe desde que Graham Bell fez o telefone. A Teleconsulta é uma coisa normal na vida de um profissional, que muitas vezes orienta seu paciente por telefone, sem nenhum problema. Mas essa prática nunca foi regulamentada."

O CFM inova ao propor a regulamentação da Telemedicina, incluindo o Brasil no ambiente da inovação e garantindo o acesso mais fácil da população a uma opinião e ação médica de qualidade, que no caso da teleconsulta será feita através de uma plataforma tecnológica, com a garantia de um protocolo de confidencialidade, que não vai expor a intimidade da saúde da pessoa. Com esta regulamentação, o CFM possibilitará o acesso a teleconsulta, ao telediagnóstico, a cirurgia robótica à distancia, e uma série de procedimentos que podem beneficiar os pacientes, principalmente os que vivem longe dos grandes centros e não tem um fácil acesso a hospitais de boa qualidade.

"Eu defendo a Telemedicina como complementar ao atendimento presencial. A relação médico-paciente presencialmente jamais desaparecerá", afirma Josier Vilar, prosseguindo: "Mas temos de garantir aos médicos, que a remuneração compensatória pelo atendimento à distância será justa e correta. A tecnologia chegou e temos de encontrar uma solução que concilie os aspectos de sustentabilidade e qualidade do atendimento com remuneração justa para os médicos que utilizarão essa nova plataforma tecnológica para atender uma grande parte de seus pacientes."

"O médico jamais será substituído pela máquina, porque o médico possui o acolhimento, passa a confiança e especialmente a compaixão, que a máquina nunca irá ter. Essa é a essência do trabalho médico. É você se colocar no lugar do outro. O médico vai ter que aprimorar não somente as técnicas de investigação diagnóstica, isso a máquina é capaz de fazer, mas terá que aprimorar o relacionamento, o comportamento, a atitude e a habilidade de ouvir e aconselhar, que é o grande desafio neste mundo de relacionamento acelerado que vivemos. Vamos ter que recuperar o lado humanista da medicina", afirma Josier.

Chao Lung Wen, médico com atuação em Telemedicina desde 1998, professor da Faculdade de Medicina da USP e chefe da Disciplina de Telemedicina; líder do Grupo de Pesquisa USP em Telemedicina, Tecnologias Educacionais e eHealth (CNPq/ MCTIC); afirma que "para que possamos desenvolver a Telemedicina no Brasil, teremos que focar na formação profissional em Telemedicina Assistencial e Educacional com a criação de Ensino da Bioética Digital em Telemedicina; Formação em Empreendedorismo Responsável e Formação de Grupo Técnico Jurídico para assessorias/ orientações, acreditação e auditorias, se necessário."

Josier Vilar informa ainda: “Que durante o Fórum Inovação Saúde será amplamente debatida uma nova proposta ao CFM de regulação para a Telemedicina, A ideia é que no final dos debates, se crie uma norma alternativa que contemple o interesse do paciente, da incorporação tecnológica e ao mesmo tempo compense o médico pela sua perda financeira. Este documento será encaminhado ao Conselho Federal de Medicina.”