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Falha da Soyuz foi provocada por "deformação" na montagem

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O recente fracasso no lançamento de uma nave Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) foi provocado por uma "deformação" de um sensor, de acordo com as conclusões da comissão de investigação.

Ao mesmo tempo, as autoridades prometeram punir os culpados pela falha embaraçosa para o setor espacial russo.

O problema que provocou a falha foi motivado por uma "deformação da haste do sensor" durante a montagem no cosmódromo de Baikonur", no Cazaquistão, anunciou Oleg Skorobatov, um dos coordenadores da comissão, criada após a decolagem frustrada que obrigou os dois tripulantes da nave a fazer um pouso de emergência.

"Baikonur é o único lugar onde isto pode ter acontecido", disse Skorobatov, que descartou a hipótese do problema ter origem na fábrica que produz as peças e exigiu um "controle rígido" dos sensores.

Em 11 de outubro, o voo do americano Nick Hague e do russo Alexey Ovichinin foi interrompido dois minutos após a decolagem. A cápsula na qual estavam os astronautas se desprendeu automaticamente do restante do foguete após o incidente.

O fracasso reflete as constantes dificuldades da indústria espacial russa, que no entanto permanece como um dos grandes orgulhos nacionais.

A corrupção, especialmente na construção do novo cosmódromo russo de Vostochny, é alvo frequente de críticas. Mas também são mencionados problemas de fabricação e projeção, como por exemplo na perda de uma nave Progress de transporte de material em dezembro de 2016.

As autoridades russas prometeram punir os culpados e pediram testes para comprovar a qualificação dos funcionários do cosmódromo.

Alexander Lopatine, que integra a comissão, afirmou que os resultados da investigação "foram transmitidos às forças de segurança".

Dmitri Baranov, executivo da empresa RKK Energia, que projeta e produz as naves, garantiu que as Soyuz são "as naves mais confiáveis" que existem.

Apesar do acidente e de uma série de problemas técnicos que abalaram a imagem do setor espacial russo, as naves Soyuz mantêm uma taxa muito elevada de sucesso nos lançamentos. Além disso, o sistema de segurança que permitiu o retorno com vida dos astronautas em 11 de outubro funcionou de modo perfeito.

O diretor executivo da Roscosmos (Agência Espacial Russa), Serguei Krikaliov, explicou na quarta-feira que o acidente foi provocado pela falha do sensor responsável por controlar a separação dos primeiros níveis da Soyuz.

"Uma das paredes laterais não se afasto de modo suficiente e atingiu um tanque de combustível do segundo nível, o que provocou uma explosão", afirmou.

Skorobatov indicou que as próximas naves Soyuz que devem decolar de Baikonur e do centro espacial francês de Kuru (Guiana) devem passar por revisões.

Krikaliov também anunciou na quarta-feira que o voo tripulado da ISS deve acontecer em 3 de dezembro, com o russo Oleg Kononenko, a americana Anne McClain e o canadense David Saint-Jacques a bordo.

 



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