Coppe desenvolve sistema inovador para o tratamento do HIV

A aluna de doutorado da Coppe/UFRJ, Letícia Raposo, desenvolveu um sistema capaz de identificar mutações do HIV que provocam resistência ao tratamento da doença. Batizado de SIRA-HIV, o sistema faz parte de sua pesquisa de doutorado, sob a orientação do professor Flavio Nobre, do Laboratório de Engenharia de Sistemas de Saúde, do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe. O sistema possibilita antecipar predisposições a resistências futuras, contribuindo para a escolha de medicamentos mais adequados e eficazes. Ele torna possível executar uma medicina personalizada, com a aplicação de medicamentos adequados a cada paciente.  

Atualmente a escolha dos medicamentos usados no combate ao HIV se baseia nos resultados obtidos pelos sistemas tradicionais, que identificam apenas as mutações majoritárias, ou seja, as que se encontram em alta frequência na população de vírus que circula no paciente (acima de 20%). Eles também não apresentam os níveis de resistência aos medicamentos. "Já o SIRA-HIV, que trabalha com o resultado do sequenciamento da nova geração, a Next Generation Sequencing (NGS), identifica as mutações majoritárias e minoritárias (acima de 1%) do HIV", explica Letícia, que é bolsista nota 10 da Faperj e estima defender sua tese na Coppe até fevereiro de 2018.

Com o SIRA-HIV, o médico  pode prever, não só o impacto da terapia de resgate no vírus resistente majoritariamente circulante no paciente em falha terapêutica, como também os padrões futuros de resistência viral às terapias de resgate pela fixação das populações mutantes minoritárias. 

Fruto de uma parceria com o Laboratório de Engenharia de Sistema de Saúde da Coppe e o Laboratório de Virologia Molecular do Departamento de Genética do Instituto de Biologia da UFRJ, o SIRA permite avaliar de forma rápida e eficiente a resistência de cada paciente às drogas antirretrovirais. “Os resultados apresentados também abrem perspectivas para o desenvolvimento de sistemas similares que, aplicados a outras doenças, poderão prever reações adversas a medicamentos e possibilitar a escolha de outros mais adequados”, explica o professor Flavio Nobre.  

No momento, estão realizando os últimos testes de usabilidade. O objetivo é tornar o sistema o mais amigável possível para o usuário. Essa é outra vantagem do sistema desenvolvido no Brasil, já que a maioria deles exige que o usuário domine linguagem de programação, o que limita a utilização pelos laboratórios médicos e pelos pesquisadores que estão buscando avanços na área. O Sistema Único de Saúde (SUS) realiza cerca de 6 mil testes de genotipagem por ano. Estima-se que com o sistema esse número possa chegar a 12 mil testes.