Tratamento reduz problemas de visão em bebês com microcefalia

Com o crescente número de bebês portadores de microcefalia associada ao zika vírus no País, aumenta a preocupação com as sequelas provocadas pela doença. Uma delas é relacionada a problemas oculares, que podem ser minimizados com tratamento adequado, de acordo com o neuropediatra do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Rafael Guerra Cintra. “A estimulação precoce da visão tem como objetivo minimizar os comprometimentos visuais”, esclarece o especialista.Segundo o neuropediatra, até o momento não há exames que façam o prévio diagnóstico. Por isso, é fundamental que os pais acompanhem o desenvolvimento e reações dos filhos.

“A família deve observar se os bebês estão com o olhar fixo em objetos coloridos e luminosos ou mesmo no rosto da mãe enquanto amamentam, por exemplo,” orienta Rafael Guerra.Nestes casos, o especialista recomenda que a criança seja levada a um oftalmologista para exames mais detalhados e detecção do grau da lesão. “Possivelmente sejam casos irreversíveis. De acordo com o local comprometido, pode ser constatada a cegueira permanente”, afirma.

Na análise do médico, esses episódios ocorrem quando a lesão no cérebro, provocada pela microcefalia, atinge a área responsável pela visão, atacando diretamente as vias ópticas, responsáveis por levar a mensagem visual. Também é possível que o comprometimento seja na estrutura dos olhos, causando, entre alguns prejuízos, a catarata.Este mês, o Ministério da Saúde divulgou novo boletim informando que o País contabiliza 907 casos de microcefalia confirmados e mais de 4.200 em investigação. A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que o número de casos confirmados deve chegar em 2.500 ainda este ano.