Inovações e Fronteiras da Cirurgia Cardiovascular foram discutidas na Academia Nacional de Medicina

Durante jornada realizada em sua sede no dia 31 de março, por iniciativa do Presidente da Secção Acadêmico José de Jesus Camargo (RS) e organizado pelos Acadêmicos Henrique Murad e Milton Meier – nomes notáveis da área – o evento apresentou novos limites para inovação na cirurgia cardíaca. 

Tratando de Cirurgia Valvar Minimamente Invasiva, o Dr. Alexandre Siciliano (Hospital Pró-Cardíaco)apresentou alternativas para reduzir a extensão das incisões, atuando por meio de visualização indireta. O emprego de cirurgia vídeo-assistida contribuiu para o uso de incisões cada vez menores e para a realização de procedimentos cada vez menos invasivos. A cirurgia robótica foi também apresentada como ferramenta de auxílio, salientando-se que essas ferramentas agregam valor ao cuidado do paciente. 

Abordando o Implante Percutâneo de Válvula Aórtica para tratamento de estenose da válvula aórtica, o Dr. LuisAntonio Carvalho (Hospital Pró-Cardíaco) chamou atenção para o fato de que a substituição de válvula aórtica em seu modelo convencional – cujos pacientes são, em geral, idosos – ainda se constitui em um procedimento que possui altas taxas de morbidade para o paciente. 

Mais adiante, o Dr. Luís Alberto Dallan (INCOR- USP) discorreu sobre Revascularização do Miocárdio. O Dr. Dallan destacou que, apesar de existirem diversas opções de “pontes” para a revascularização (veia safena, artéria radial, dentre outras), a utilização da dissecção da artéria mamária se constitui em uma importante opção aos pacientes, principalmente por se tratar de um procedimento que pode ser utilizado em pacientes de qualquer idade. 

O Dr. Paulo Pego-Fernandes (INCOR – USP) discorreu sobre Tratamento Cirúrgico da Insuficiência Cardíaca alertando sobre os altos níveis de mortalidade relacionados à insuficiência cardíaca – níveis estes que só podem ser comparados aos de câncer de pulmão. A importância de discutir inovação dentro deste tema se coloca tendo em vista que a maioria dos pacientes está submetida a um contexto de subdiagnóstico e subtratamento. Dentre as opções de tratamento cirúrgico para a Insuficiência Cardíaca em seus estágios mais avançados(a assistência circulatória mecânica e o transplante cardíaco), a assistência circulatória mecânica foi ressaltada em razão de se constituir uma opção viável principalmente em casos de pacientes que não se encaixam nos critérios de eleição para o transplante (em geral, a idade avançada), oferecendo uma perspectiva de vida muito positiva a esses indivíduos. 

A etapa final da Jornada contou com as contribuições do Acadêmico Henrique Murad e do Dr. Felipe Murad para discutir doenças da aorta, respectivamente dissecção aórtica dos tipos A e B.

Com relação à Dissecção Aórtica tipo A, o Acadêmico Henrique Murad chamou atenção para letalidade da patologia. Após uma apresentação das características e da forma de classificação dessa doença, o Murad discorreu sobre o protocolo para o diagnóstico e os questionamentos cirúrgicos a serem feitos.

Abordando a Dissecção aórtica tipo B, o Dr.Felipe Murad apresentou novas perspectivas para o tratamento desta patologia considerada menos letal, repensando antigos “caminhos certos” e propondo uma extensão do tratamento, não só a pacientes classificados em um quadro complexo.