AcademiaNacional de Medicina discute e divulga Aspectos Fundamentais da Saúde Renal

A Academia Nacional de Medicina inicia nesta sexta-feira (1º) a divulgação de uma série de temas de interesse da população, a partir do Simpósio realizado em 31 de março, em homenagem ao Dia Mundial do Rim.

As maiores autoridades nacionais, muitos dos quais Acadêmicos, proferiram conferências e participaram de discussões no simpósio, representando diversas universidades, como USP, Federal de São Paulo, Federal do Maranhão, Uni-Rio, UERJ, UFRJ, etc.

O Professor Nestor Schor, pesquisador e professor titular de nefrologia da UNIFESP apresentou o importante e inexorável tema “Rim & Envelhecimento”.

É certo que o avanço da medicina proporcionou um progressivo aumento da longevidade, sendo que a expectativa de vida no Brasil já passou de 75 anos, sendo que o Estado de Santa Catarinaé o campeão com expectativa de 78 anos e o Estado do Maranhão, o que apresenta menores números, estimando-se que seus cidadãos chequem aos 70 anos, em média. Esta mudança do panorama demográfico mostra que atualmente no Brasil temos em torno de 12,5% de idosos e que se espera que em 2050 tenhamos 30% da nossa população com idade acima de 60 anos. Portanto, o estudo do envelhecimento passa a ser muito importante em todo o saber, com impacto não só na medicina, mas também em todos os setores da nossa sociedade, como na economia, aspectos sociais, culturais etc.

Assim, na Semana Internacional do Rim, passa a ser importante discutir o impacto do envelhecimento no sistema renal. O Rim, com o passar das décadas, tem a função decrescente, sendo mais importante a partir dos 50 anos de idade, onde aparecem alterações não só funcionais, mas também alterações na sua estrutura. Ocorre maior frequência de cistos simples, fibrose do tecido, redução do córtex renal com aumento de sua medula e em especial alterações dos glomérulos, as unidades funcionais de filtração do sangue, que vão sofrendo alterações fibróticas – ou seja, “vão se esclerosando”!

Assim, a partir dos 50 anos, em média, ocorre perda da função renal de cerca de 1% ao ano. Em outras palavras, indivíduos com 70 anos têm, em média 20% a menos da sua função. Esta é uma situação esperada para os idosos sem doenças associadas, mas ressalta-se que existe uma diversidade de alterações. Quando ocorre a presença de doenças associadas, como por exemplo, o diabetes, a hipertensão, a aterosclerose, esta perda pode ser muito maior. Assim, é necessário distinguir e interferir, distinguindo o que é o envelhecimento fisiológico (“normal”) do envelhecimento patológico. Desta maneira, deve-se controlar o melhor possível às doenças concomitantes que vão aparecendo com o passar dos anos. Enquanto a medicina, com seus pesquisadores, estuda os mecanismos moleculares do envelhecimento, é possível sugerir várias medidas visando propiciar o envelhecimento mais saudável possível, ou seja, fisiológico.

Devemos estimular e solicitar à população em geral e em especial para os adultos e idosos a necessidade de avaliarem a função renal, sendo que o exame mais simples e inicial é a medida da creatinina no sangue. Se houver alterações no seu valor esperado, deve-se prosseguir com a investigação utilizando técnicas mais completas e complexas.

Algumas medidas devem ser estimuladas para reduzir a progressão da perda da função renal com o envelhecimento. O controle do peso é fundamental. Obesos e mesmo indivíduos com sobrepeso não só tem pior qualidade de vida, mas também apresentam maiores chances de perderem as condições fisiológicas. O controle, quando possível, do meio ambiente seria outra medida importante. Diferentes toxinas, qualidade do ar e da água, condições sanitárias, etc., todas elas contribuem para perda das melhores condições de saúde. O fumo, excesso de álcool e drogas recreativas podem comprometer o envelhecimento fisiológico. O sedentarismo tem sido cada vez mais apontado como um dos principais fatores de perda de boas condições fisiológicas e da função renal. Além destes aspectos, conforme referido acima, o controle de doenças comuns nos idosos passa a ser a pedra angular para prevenir o envelhecimento patológico, necessitando um cuidado médico e acesso aos tratamentos específicos de uma maneira adequada.