Especialista alerta para riscos do glaucoma

Doença não pode ser curada e danos causados não podem ser revertidos

O glaucoma vem aumentando  na população, principalmente por falta de informação e prevenção. Fique atento:  o glaucoma não pode ser curado e os danos causados pela doença não podem ser revertidos, mas o tratamento e exames regulares podem prevenir a perda de visão em pessoas com glaucoma inicial. Se a perda da visão já foi iniciada, o tratamento pode retardar ou evitar sua progressão.

O QUE É O GLAUCOMA

Mas o que é o glaucoma?  Segundo o Dr. André Cechinel, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia,  o glaucoma faz parte de um grupo de doenças oculares que resultam em dano irreparável ao nervo óptico, podendo levar à perda da visão. O aumento da pressão no interior do olho (pressão intra-ocular), geralmente, mas nem sempre, faz com que esse dano ocorra.

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira no Brasil e  pode danificar a visão de forma tão gradual que o paciente pode não perceber essa perda, até que a doença esteja em estágio avançado. O tipo mais comum de glaucoma, glaucoma primário de ângulo aberto, não tem sinais visíveis ou sintomas, exceto a perda de visão gradual.

Os tipos mais comuns de glaucoma - glaucoma primário de ângulo aberto e glaucoma de ângulo fechado - têm sintomas completamente diferentes.

Os sinais e sintomas de glaucoma primário de ângulo aberto incluem perda gradual de visão periférica, normalmente em ambos os olhos,  e visão tubular em estágios avançados. 

Os sinais e sintomas de glaucoma agudo de ângulo fechado incluem dor ocular, náuseas e vômitos (que acompanham a dor ocular), início súbito de distúrbio visual, visão embaçada, halos ao redor das luzes e vermelhidão do olho.

Ambos podem ser de condições primárias ou secundárias. Eles são chamados primários quando a causa é desconhecida e secundários quando a condição pode ser atribuída a uma causa conhecida,  como as lesões oculares, medicamentos, certas doenças oculares, inflamação, tumor, catarata avançada ou diabetes.

Como as  formas crônicas de glaucoma podem destruir a visão antes de quaisquer sinais ou sintomas  aparentes, devemos estar cientes dos fatores de risco para a doença, que são:

Pressão intraocular elevada: se a sua pressão interna do olho (pressão intra-ocular) é maior do que o normal, você tem um maior risco de desenvolver glaucoma, embora nem todos com a pressão intra-ocular elevada desenvolvam a doença.

Idade: pacientes com mais de 60 anos têm maior risco de possuir glaucoma de ângulo aberto e maiores de 40 anos têm o risco aumentado em glaucoma de ângulo fechado.

Origem étnica: os afro-descendentes com mais de 40 anos de idade têm um risco muito maior de desenvolver glaucoma do que os brancos (caucasianos). Afro-descendentes são também mais susceptíveis de chegar à cegueira permanente como um resultado do glaucoma. Pessoas de ascendência asiática têm um risco aumentado de desenvolver glaucoma agudo de ângulo fechado. 

História familiar de glaucoma: o glaucoma pode ter uma ligação genética, o que significa que é um defeito em um ou mais genes, que podem levar alguns indivíduos a ser mais susceptíveis à doença. 

Condições médicas: várias condições podem aumentar o risco de desenvolver glaucoma, incluindo diabetes, doenças cardíacas, pressão alta e hipotireoidismo.

Outras doenças oculares: lesões oculares graves podem causar aumento da pressão ocular. Outras doenças oculares que podem causar aumento do risco de glaucoma, incluem tumores oculares, descolamento de retina, inflamação dos olhos e deslocamento da lente. Certos tipos de cirurgia do olho também podem desencadear o glaucoma. 

 Uso prolongado de corticosteróides: o uso de corticosteróides por um longo período, especialmente na forma de colírios,  pode aumentar o risco de desenvolvimento de glaucoma secundário.

TRATAMENTOS

O oftalmologista André Cechinel, explica ainda que o objetivo do tratamento do glaucoma é diminuir a pressão intra-ocular. Para tratar a  doença, os médicos podem baixar a pressão ocular, melhorar a drenagem de fluido no olho ou diminuir a quantidade de fluido produzido  no olho.

No tratamento do glaucoma de ângulo aberto, prossegue o Dr. Cechinel,  o tratamento do glaucoma muitas vezes começa com colírios medicamentosos. A maioria dos colírios usados atualmente, possui poucos efeitos colaterais em comparação aos do passado. Alguns casos podem exigir o uso de mais de um tipo de colírio e alguns pacientes podem ser tratados, ainda, com comprimidos que agem para baixar a pressão ocular. 

Alguns pacientes podem precisar de outras formas de tratamento, como o tratamento a laser, para auxiliar na desobstrução da circulação do humor aquoso. Esse procedimento é geralmente indolor. Outros pacientes podem precisar de cirurgia tradicional para abrir um novo canal para o fluxo normal de humor aquoso.

Já a crise de glaucoma de ângulo fechado é uma emergência médica, informa o especialista, podendo levar inclusive à cegueira, após alguns dias sem tratamento. Colírios, pílulas e medicamento intravenoso são utilizados para baixar a pressão nesses casos. Alguns pacientes ainda precisam ser submetidos a um procedimento de emergência, chamado de iridotomia. Este procedimento usa um laser para abrir um novo canal na íris, que alivia a pressão e previne uma nova crise.

E aí vai um alerta: o diagnóstico e tratamento precoce do glaucoma podem minimizar ou prevenir a lesão do nervo óptico e limitar a perda de visão relacionados à doença. Por isso é muito importante realizar exames oftalmológicos regularmente.