Gravidez múltipla: o fenômeno dos gêmeos

Por que os gêmeos despertam tanta admiração? Em qualquer lugar por onde andam, os bebês atraem a atenção de todos. Idênticos ou não e mesmo vestidos com roupas diferentes, não há quem não queira puxar conversa e saber um pouco sobre as crianças.

O aumento no número de casais que recorrem às técnicas de Reprodução Assistida para conseguir uma gestação levou a um aumento na incidência de nascimento de gêmeos. Para se ter uma ideia, a chance habitual de gêmeos é de 1 para 80. No caso da reprodução assistida, as chances pulam para 20%. "Estima-se que 15% da população em idade reprodutiva apresente dificuldades em obter uma gravidez em algum momento da vida”, afirma o especialista em reprodução humana, Roberto de Azevedo Antunes, diretor médico da Fertipraxis Centro de Reprodução Humana, no Rio de Janeiro, e diretor da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia-RJ.

Segundo ele, para a mulher que não consegue engravidar, gerar mais de um filho pode significar uma grande vitória, muito embora ressalte que o objetivo inicial do tratamento de fertilização in vitro seja a gravidez única. Também há um lado fascinante. Os gêmeos provocam espanto e admiração desde os primórdios da humanidade. Na mitologia, temos as figuras Rômulo e Remo, que seriam fundadores de Roma, segundo a lenda. E, os siameses Chang e Eng, nascidos no Sião (atual Tailândia), no século 19, que originaram o termo usado para designar tal deformidade. Quando nasceram, o rei Rama II ordenou a sua execução, mas caíram nas graças de seu sucessor, Rama III, e viraram atração da corte em Bangcoc. Na França, as estatísticas apontam para um aumento de 30% no número de gravidezes gemelares, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde – Inserm.

A ginecologista Maria do Carmo Borges de Souza, que também pertence ao corpo clínico da Fertipraxis, explica que devido ao uso das técnicas de reprodução assistida para ajudar os casais a ter uma gravidez, o número de gêmeos segue crescendo nas maternidades brasileiras. “Quando a mulher se submete a um tratamento de fertilidade, as possibilidades de ter gêmeos aumentam consideravelmente, pois são transferidos ao útero até quatro embriões, dependendo da idade da paciente (número máximo sugerido pelo Conselho Federal de Medicina). Há, em média, cerca de 20% de chance de ter gêmeos e 2% de trigêmeos” alega a médica,  afirmando que o fim da gestação múltipla nos tratamentos de reprodução assistida é um desafio. Segundo ela, um embrião seria o ideal para transferir e assim diminuir as chances de nascimento de gêmeos.

Além do avanço das técnicas de reprodução assistida, o número de gêmeos está aumentando por causa de mulheres que têm filhos depois dos 30 anos. Pelo menos é o que sugere um estudo divulgado este ano pela Divisão de Medicina Reprodutiva da Universidade Vrije, em Amsterdã, na Holanda. De acordo com os pesquisadores, o nascimento de gêmeos é mais comum entre mães mais velhas porque elas são mais suscetíveis a produzir óvulos múltiplos em um ciclo do que as mulheres mais jovens. Além disso, é maior na gestação dessas mulheres a taxa de nascimento de gêmeos não-idênticos.