Hospital São Francisco de Assis inaugura 2ª Organização de Procura de Órgãos

Cerimônia contou com a presença de Dom Orani Tempesta

A segunda Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Rio de Janeiro foi inaugurada nesta quarta-feira (24) no Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca, Zona Norte da cidade. Em outubro, começam a funcionar ainda as OPOs de Itaperuna e Petrópolis e até o fim do ano é esperada a inauguração da unidade de Barra Mansa. O Hospital São Francisco de Assis é atualmente sede do Centro Estadual de Transplantes desde o início de 2013 e é também a unidade com maior volume de cirurgias de doadores falecidos em todo o estado do Rio de Janeiro. A inauguração aconteceu no meio da Semana Nacional da Doação de Órgãos. 

De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Marcos Esner Musafir, o Rio de Janeiro antes do Programa Estadual de Transplantes (PET) ocupava a 23ª posição em transplantes no país e atualmente é o segundo do ranking nacional – atrás apenas de São Paulo. “Aumentamos em 50% os transplantes de órgãos e 300% os transplantes de tecidos. Hoje reduzimos em 70% a lista de pessoas aguardando por um transplante e a meta é reduzir cada vez mais. Já foram realizados 1,2 mil procedimentos de transplante no Rio esse ano e a nossa meta é aumentar bastante isso para salvar mais vidas, com carinho e dedicação dos profissionais de saúde”, afirma.

Musafir acredita que a primeira ação significativa para os avanços nos números de doação e transplantes foi a criação do PET em 2010, seguida da criação das OPOs. Segundo o secretário, vem sendo feita também um trabalho de promoção da importância da conscientização da população, além de um trabalho de humanização junto às famílias que possuem potenciais doadores.

De acordo com o Programa Estadual de Transplantes (PET), o Hospital São Francisco de Assis é o local com maior volume de cirurgias de doadores falecidos no estado. Musafir explica que as OPOs albergam um grupo de profissionais capacitados para fazer o diálogo com as famílias dos possíveis doadores, fazendo um trabalho de sensibilização para que a doação do órgão seja estimulada. “Além disso, elas organizam o contato com todas as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) onde possam ter pacientes com potencial morte encefálica, ajudam no tratamento para que os órgãos possam ser tratados e transplantados com segurança e qualidade. É uma equipe grande e unida”, conta.

A primeira OPO do estado funciona desde o início do ano no Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (IECAC), no Humaitá, Zona Sul do Rio. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, as OPOs foram criadas para descentralizar e aperfeiçoar o processo de doação de órgãos e tecidos nos hospitais abrangidos por cada uma dessas novas unidades. Elas atuam em conjunto com equipes já existentes no PET – como o grupo de Terapia Intensiva e a Coordenação Familiar, responsáveis respectivamente pelo suporte clínico aos potenciais doadores e às famílias. As notificações de órgãos continuarão a ser feitas ao PET através do Disque Transplantes.

Jonatas da Silva Gonçalves, morador da Baixada Fluminense, foi uma das pessoas que participaram da cerimônia de inauguração. O jovem de 24 anos passou por uma cirurgia em maio de 2013, quando recebeu um rim doado. Para Jonatas, participar da cerimônia foi uma experiência emocionante. “A gente nunca se imagina nessa situação de transplantado, só quando passamos por isso é que a gente vê como é. Eu tive a chance de receber um rim novo e muitas pessoas ainda podem ter essa oportunidade”, disse.

Jonatas lembra que ficou três anos na fila aguardando por um transplante e aconselhou as pessoas que seguem esperando um transplante a não perderem jamais as esperanças. “Elas tem que ter paciência, saber que o PET está funcionando e tentando melhorar a questão do transplante. Aqui está sendo um lugar referencial nesse trabalho do transplante, da doação de órgão. As pessoas têm que acreditar e não deixar de fazer o tratamento”, recomendou.

 “É preciso pensar no próximo”

O cardeal do Rio de Janeiro Dom Orani Tempesta participou da cerimônia celebrando uma missa e deu sua bênção à nova OPO. O cardeal fez questão também de parabenizar a Secretaria de Estado de Saúde e todos os envolvidos na equipe do projeto. “Fico muito feliz de olhar o caminho percorrido e ver que o que ainda falta nos entusiasma a cada vez mais dar nosso apoio, para que ainda mais nós possamos servia à cidade. Eu creio que o Rio de Janeiro deu bons passos, com o carinho da equipe médica para atender os pacientes que necessitam de transplantes”, comemorou.

O cardeal disse ainda que a instituição religiosa irá continuar fazendo o possível para proporcionar mais dignidade e acolhimento no Hospital São Francisco de Assis. “Esse é o nosso desejo: poder dedicar cada vez mais dedicar todo nosso apoio. É também um sinal de caridade e de amor para prestar um serviço especial. Qualidade, eficiência e o jeito cristão de ser. O clima de amar o próximo faz toda a diferença”, disse o religioso.

Na cerimônia onde se celebrava a Semana Nacional da Doação de Órgãos, foram celebrados os frutos da parceria feita entre o estado do Rio e a Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus. A instituição religiosa afirmou colocar a serviço de cada paciente uma equipe altamente qualificada, tecnologia de ponta e uma estrutura física acolhedora.

*Do programa de estágio do JB