Dia da Árvore: cresce o processo de plantio para compensar emissão de gás

Neste sábado (21) comemora-se no hemisfério sul o Dia da Árvore e o plantio delas está se tornando cada vez mais comum por empresas que pretendem compensar a emissão de gases de efeito estufa (GEE), como o gás carbônico, em suas produções. Plantar árvores, inclusive, é umas das diversas maneiras de compensação de atividades poluentes previstas no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 por 84 países com o objetivo de reduzir as emissões de GEE.

As plantações de árvores como forma compensatória da emissão de gases poluentes podem ser feitas através de ações voluntárias das próprias empresas, ou seja, sem obrigação por lei, e, também, por projetos de créditos de carbono, que são reconhecidos por certificados e leis. A prática voluntária, embora seja positiva, não pode ser feita sem um estudo técnico, como lembra o diretor de desenvolvimento do Instituto Brasil Floresta (IBF), Higino Aquino.

 “As compensações de emissão de gases poluentes, na maioria das vezes, são voluntárias, ou seja, a empresa uma vez que polui resolve plantar árvores por conta própria. Além da questão dos gases poluentes, a prática contribui com a biodiversidade e com a preservação dos recursos hídricos. No entanto, é preciso ter cuidados e um estudo técnico da área onde será feita as plantações, para saber se é possível a árvore crescer naquele solo e atingir o objetivo esperado. Na maioria das vezes, o plantio deve ser feito em áreas próximas a rios”, explica Aquino.

De acordo com o diretor do IBF, mesmo as empresas continuando a poluir o meio ambiente com suas produções, plantar árvores é uma forma eficaz de compensar a poluição gerada. “Numa conta simples, o plantio de sete árvores, em média, consegue eliminar uma tonelada de gás carbônico durante 20 anos”, afirma.

Para Aquino, o plantio de árvores e de outras maneiras de compensação são atividades que estão com grande tendência para o crescimento. “Se continuar as emissões gases poluentes atuais, essas práticas vão sempre crescer, pois mudar a matriz energética para uma mais limpa é muito mais caro”, avalia.

Em relação às práticas que são reconhecidas por certificados ou leis, o diretor do IBF garante que, atualmente, os projetos de crédito de carbono alcançaram um alto grau de credibilidade. “Não existe relatos desses projetos que não deram certo, a não ser os que não conseguiram ter a certificação aprovada. Há um critério muito forte, como checar a veracidade das informações cedidas pelas empresas, o aspecto ético de cada projeto. Por um lado, isso pode inibir novas iniciativas, mas por outro garante que sejam executados e atinjam seus objetivos, que é melhorar o meio ambiente”, diz Aquino.

A coordenadora do curso de Gestão de Carbono e Sustentabilidade da PUC-Rio, Ana Ghislane Van Elk, concorda com Aquino em relação à eficácia da plantação de árvores visando compensar as atividades poluentes. De acordo com ela, as leis que exigem plantações de árvores como forma compensatória podem ser em âmbito municipal, estadual e federal. Ela cita um caso específico que ocorreu em Sorocaba, no interior paulista. “Lá, a prefeitura exige que cada carro vendido por uma concessionária, a mesma plante uma árvore”, afirma.

Ana Ghislane prefere ver a situação das emissões de gases poluentes de uma forma positiva e, segundo ela, o Brasil avançou muito na questão. “Nos anos 1970, não se falava em meio ambiente. Nossa legislação ambiental é de 1982 e de lá para cá muita coisa mudou para melhor. Na medida que a própria natureza vai nos mostrando, através de desastres naturais, que precisamos mudar nossas matrizes energéticas, a gente vai avançando cada vez mais através de regulações, de leis mais rigorosas, acordos internacionais. O plantio de árvores não ataca o centro do problema, que é a matriz energética altamente poluidora, mas faz com que as próprias empresas fiquem atentas com as suas atividades poluidoras. E, no Brasil, a consciência vêm aumentando”, avalia.

* do Projeto de Estágio do JB