Preço alto puxa para baixo acesso à internet no Brasil 

O Brasil é o 81º colocado no ranking de acesso à internet entre todos os países da Organização das Nações Unidas, mas quando se fala em preço do acesso a questão é ainda mais preocupante. O país está na 97ª posição entre os de custo mais baixo de acessibilidade à grande rede mundial de computadores, segundo dados do Comitê Gestor da Internet brasileira (CGI.Br).

Segundo especialistas do comitê que estão no Rio Info, maior congresso de tecnologia da informação do país, o custo muito alto do serviço é uma questão que precisa ser solucionada logo para que o acesso à internet no Brasil cresça em padrões mais próximos dos europeus.

"97% do acesso à internet móvel no Brasil é feito por telefones celulares pré-pagos. Está claro que o serviço ainda é muito caro. Quando se ofereceu um serviço mais barato como o móvel e pré-pago, o acesso aumentou", pontua Juliano Cappi, coordenador geral de pesquisas do CGI.Br.

"O que me preocupa é que todo ano o Brasil está perdendo posição. Não quero dizer que 81 é muito ou pouco. Mas os empresários querem ver os resultados para fazer uma avaliação de risco. Em 2005, o Brasil estava na 63a posição. A gente está avançando, mas os outros países estão andando mais rápido", diz Cappi.

Para Alexandre Barbosa, gerente do CGI.Br, o governo tem de intervir não apenas no setor automobilístico, onde os impostos vêm sendo reduzidos sistematicamente, mas também em tecnologia, setor onde a carga tributária também muito alta e apenas o consumidor tem pagado a conta.

"A composição de custo das nossas empresas de uma forma geral, e não apenas de tecnologia, é muito alta. Os empresários certamente vão argumentar que os impostos são muito altos e, de fato, a carga tributária é muito elevada. O custo do capital de investimento também", afirma o especialista. "A gente vê um esforço do governo de reduzir taxas de juros e fazer concessões tributárias para alguns setores. Existe um foco muito grande em indústria automobilística em vez de se fazer uma reforma tributária mais ampla. O famoso custo Brasil é um grande ator nesta questão."

O preço é o motivo que faz uma pessoa não comprar um serviço, mas há outros que colocam o acesso à internet no chão no Brasil, segundo os especialistas: infraestrutura e desigualdade social. "A falta de infraestrutura, principalmente nas áreas rurais das regiões norte e nordeste, puxa a distribuição do acesso à internet no Brasil para baixo", explica Barbosa.

"A grande questão no Brasil é a desigualdade e isso a gente nem precisa debater muito. As classes A e B já estão no nível europeu. A tem 96% de acesso e a B tem 76%. Mas as classes C (35%) e D (5%) puxam o acesso para baixo. São problemas que o Brasil precis resolver", alerta Cappi. Na União Europeia, o acesso médio é de 73% entre os 27 países membros, mas na Holanda, por exemplo, o número chega a 94% dos domicílios.