Finep comemora 45 anos de olho no futuro

Junto ao BNDES e Petrobras, instituição financia incentivos ao petróleo e gás

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) comemora seus 45 anos com o pé no acelerador. Se até agora já respondeu pelo financiamento e viabilização de mais de 28 mil projetos correspondentes ao desembolso de R$ 58 bilhões, agora a equipe se estrutura para chegar a um orçamento de R$ 60 milhões, quase cinco vezes maior à sua movimentação anual de R$ 14 bilhões.

Em meio a este objetivo, a instituição lança, junto à Petrobras e ao BNDES, o Inova Petro, plano de ações conjuntas para desenvolver projetos de inovação tecnológica com recursos iniciais de R$ 3 bilhões.

A multiplicação do orçamento, entretanto, vai requerer modificações nos estatutos da instituição. Nada mais justo para quem responde por alguns dos mais importantes e inovadores projetos já realizados no Brasil, seja através de financiamentos à pesquisa universitária ou direto a empresas privadas, que trouxeram ao país soluções como a Embraer, a Embrapa, os estudos que chegaram ao projeto do Pró Álcool ou mesmo à descoberta e viabilidade de prospecção do petróleo e gás das camadas de Pré Sal.

>> O Passo a passo da instituição

Quem está à frente dessa multiplicação de recursos orçamentários é o presidente da Finep, Glauco Arbix. Ex-presidente do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), o sociólogo tem pós doutorados na Universidade de Cornell (EUA), no Massachusetts Institute of Thecnology (EUA), na London School of Economics (Inglaterra) e nas Universidades de Columbia e da Califórnia (EUA). Argumentos para engordar o caixa da instituição não faltam, a começar pela estabilidade econômica atingida pelo país e pela distribuição de renda, que turbinou o crescimento das classes C e D, embora ainda haja um longo caminho rumo ao fim das desigualdades sociais. 

 “Só haverá um futuro brilhante se nossa população estiver melhor preparada, com nossas crianças em boas escolas, os adolescentes evoluindo em seu processo de aprendizado e os centros acadêmicos entrando em sintonia com a atividade produtiva, de forma a projetar o país para contextos mais complexos”, acredita Arbix.

Encontro marcado com a civilização

Ou seja, se o Brasil pretende ter um encontro marcado com a civilização, sua única alternativa é desenhar as linhas para o futuro, para além das de mero fornecedor de recursos naturais. Nesse sentido, a Finep é um instituto chave, com seus 700 funcionários qualificados. Na realidade, porém, seu ultrapassado sistema de financiamento não é capaz de atender as universidades e empresas. 

“Há uma demanda muito maior por financiamento e apoio do que nossa capacidade instalada permite”, resume o presidente da instituição.

A Finep é a gestora legal do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado em 1969 e hoje composto por 14 fundos setoriais (energia, petróleo e gás, biotecnologia, agricultura, etc) e dois transversais, o CT-Info, de apoio à modernização das instituições e o CT-Verde e Amarelo, para interação entre universidade-empresa e apoio à renovação.  “São fundos contingenciados, que geram insegurança”, argumenta Arbix.

“Como agência de fomento, poderemos tomar recursos do Fundo Social, que será criado em 2015. Hoje não podemos, pois não somos reconhecidos pelo Banco Central como instituição financeira”, completa. 

Para isso, a Finep irriga a área de investimentos de futuro, espécie de embrião para a gestora de recursos na qual a Finep busca se transformar. “Nosso plano é chegar ao formato definitivo em até três anos, para ampliar nosso raio de abrangência na área operacional”, antecipa Arbix. 

O problema é que as atividades científicas e tecnológicas não são triviais, têm um período de maturação e um grande risco embutido. Por isso ainda há muita resistência no Brasil em se investir em tecnologia, o que não ocorreu com os países desenvolvidos.  

 O país já caiu 37 posições no ranking do Índice Global de Inovação, elaborado pelo Instituto Europeu de Ensino e pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual. Porém, ainda deixa muito a desejar: os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) não passam de 1,2% do PIB, enquanto em países como Israel a proporção é de 4,9%, no Japão, de 3,5% e na Coreia do Sul de 3,2%. São números que mostram que ainda há muito por fazer rumo a um país virtuoso e sustentável.