Astronautas partem neste sábado para 'rotina intensa' na ISS 

Vai ser uma expedição cheia, diz a astronauta americana Sunita Williams, que parte no final da noite deste sábado para a Estação Espacial Internacional (ISS). Ela, o russo Yuri Malenchenko e o japonês Akihiko Hoshide se juntam ao demais membros da Expedição 32, que já estão no espaço: Gennady Padalka, Sergei Revin (ambos da Rússia) e Joe Acaba (EUA). Apenas quatro dias depois de os astronautas chegarem à estação, o Japão lança um veículo não tripulado (Konoutori 3 - do japonês, "cegonha branca") com 3,5 t de equipamentos e suprimentos.

O Konoutori 3 se acopla no dia 27. Dois dias depois, a Rússia lança a Progress 47 para testar um sistema de doca mais moderno, que deve usar menos energia e será mais seguro (prometem os russos). Até novembro, são mais quatro lançamentos planejados, inclusive um da SpaceX - a empresa privada que presta serviços à Nasa.

Dezenas de experimentos

Café da manhã? Não, no espaço o início do dia é marcado pela coleta de saliva, sangue e urina para medir o nível de estresse e monitorar o sistema imunológico na microgravidade. Uma vez por semana, os astronautas têm que relatar como foram as comuns dores de cabeça no espaço (mesmo as pessoas que nunca têm dores relatam o problema quando saem do planeta). Durante a estadia, eles ainda terão as paredes dos vasos sanguíneos monitoradas por exames de imagem, e os cientistas vão cuidar também o quanto de radiação os corpos vão receber.

Todos esses passos fazem parte de experimentos das agências espaciais que mantêm a ISS, já que, entender como o corpo reage à microgravidade é um dos principais objetivos da estação. Mas, além de ter cada detalhe de seu organismo estudado, os astronautas ainda têm de fazer estudos em áreas diversas. O americano Joe Acaba, por exemplo, é responsável pelo experimento Queima e Supressão de Sólidos (Bass, na sigla em inglês). Ele tem de queimar diversos tipos de combustíveis para entender quanto tempo e como se dá a combustão desses elementos sem gravidade. Mas, por que se estuda isso? Segundo a Nasa, o Bass vai levar a sistemas de proteção contra incêndios melhores no espaço e também na Terra (afinal, os primeiros detectores de fumaça foram criados para uma estação espacial ).

Outros experimentos são ainda mais específicos. Um deles vai colocar partículas suspensas em um líquido para tentar entender melhor a cristalização. Em outro, que começou em setembro de 2011 e vai acabar quando completar um ano, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos encaminhou um mini relógio atômico (do tamanho de um de pulso) que seria tão preciso quanto qualquer outro do tipo, mas com um consumo de energia muito menor e com a diferença de poder ser usado em uma viagem espacial e em pequenos satélites. Tudo com objetivo de ir mais longe no espaço e ajudar a melhorar a vida na Terra.

Os astronautas

"Você estará sentado em um foguete lançado no espaço, vai sair em caminhadas espaciais em um traje que é seu único suporte de vida (...) então existem alguns riscos no que fazemos. Nós estaremos em veículos que orbitam a terra próximos à estação espacial a 27 mil km/h e tentamos fazer com que as duas (a estação e a nave) não colidam uma contra a outra. Então, existem alguns riscos, mas eles são calculados. Nós fomos treinados cuidadosamente", comenta a capitã da marinha Sunita Williams na entrevista pré-voo da Nasa. Curiosamente, a experiente astronauta será engenheira de voo da expedição 32, mas ficará na estação e comandará a 33.

O Japão, por sua vez, manda ao espaço um astronauta acostumado a sair do planeta, mas também a viver em vários lugares dele. Akihiko Hoshide já morou em Nova Jersey (EUA), Tóquio e Singapura. "Eu acredito que (a estação) é um investimento para o futuro, não apenas para a nossa geração, mas para a geração que virá. Para eles, eu penso, ir ao espaço e dar mais oportunidade, dar mais possibilidades, é o que tentamos fazer, e isso pode ser na ciência, na tecnologia."

O coronel Yuri Ivanovich Malenchenko é o mais experiente dos três membros da missão. Agraciado com diversas honras das Forças Armadas, inclusive a "Medalha Herói da Federação Russa", Malenchenko fez seu primeiro voo ao espaço em 1994, e ficou por lá 126 dias. Com a soma de todas as missões, ele já ficou mais de 500 dias fora da Terra. "Um cosmonauta precisa voar para o espaço, porque, se você não está lá, então o que você faz não é viagem espacial e você não é um cosmonauta. É isso que eu faço para viver. Este é o meu trabalho (...) Eu sinto que ele é realmente importante para a humanidade e para o futuro. E ainda virá o tempo em que isso ficará claro, até para as pessoas que tem um outro ponto de vista sobre isso (as viagens espaciais)."