Alergias afetam até 30% da população

Pelo menos 30% dos brasileiros são afetados por algum tipo de alergia, segundo a Organização Mundial da Saúde. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, 20% desse total são de crianças, sendo as alergias respiratórias as mais comuns entre elas. Somente a rinite alérgica atinge cerca de 26% das crianças e 30% dos adolescentes brasileiros, segundo dados do International Study of Asthma and Allergies (ISAAC).

Alergias não têm cura, mas têm controle. O Dia Nacional de Prevenção das Alergias, celebrado no dia 7 de maio, chama atenção para uma medida simples, mas que pode salvar vidas: a prevenção. A médica Izilda Bacil, que é membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia e alergista do Hospital Balbino (RJ), esclarece que a doença pode ser controlável com acompanhamento médico e medidas profiláticas em casa e no ambiente de trabalho. Manter o ambiente ventilado, retirar tapetes e bichos de pelúcias são bons exemplos de prevenção a alergias. A especialista recomenda: “É preciso fazer a limpeza regular das superfícies com pano úmido e solução desinfetante para eliminar fungos e ácaros. Varrer a casa contribui para dispersar os alérgenos, substâncias responsáveis pela sensibilização alérgica.” Bacil alerta ainda que deve-se evitar desinfetantes muito perfumados ou irritantes para as vias aéreas superiores. 

A alergia se manifesta quando o organismo responde de forma exagerada a algum estímulo comum no ambiente que pode ser poeira, elementos suspensos no ar, alimentos, medicação, pelos de animais domésticos, produtos de limpeza etc. “Os agentes estão no nosso meio, mas é a predisposição genética o fator desencadeante para novas crises alérgicas”, pondera a alergista. A especialista diz que é preciso evitar ácaros em travesseiros e colchões. A melhor forma para isso é forrá-los com material impermeável, o que aumenta a durabilidade e diminui o contato com os ácaros.

A médica explica ainda que as crises alérgicas podem se manifestar de diversas maneiras. "As manifestações respiratórias mais comuns são a rinite e a asma. E as alergias que se manifestam pela pele costumam provocar irritação intensa, vermelhidão, prurido (coceira) chegando até mesmo a ocorrer nos casos mais intensos, inflamação e bolhas. As dermatites atópicas são responsáveis por grande número destes casos", completa a Izilda Bacil.

Cuidado no ambiente de trabalho

A alergista do Hospital Balbino afirma que é preciso cuidado também no ambiente de trabalho, já que mais de 90% do dia é passado em ambiente fechado, o que deixa o indivíduo propenso mais vulnerável às alergias. “Cortinas, tapetes, estofados e até o teclado de computador são fontes para o acúmulo de poeira, umidade e fungos. Por isso, devem ser limpos diariamente”, alerta. “O ideal é que as empresas optem por objetos com revestimento pouco porosos e facilmente laváveis”, indica a médica dizendo que outra recomendação é trocar a vassoura por pano úmido contendo algum tipo de desinfetante capaz de matar os ácaros.

Bacil lembra que os aparelhos de refrigeração são bastante responsáveis pela qualidade do ar em um ambiente fechado. “Limpá-los com regularidade, lavando os filtros conforme as instruções do fabricante é fundamental para a saúde dos funcionários. Caso surja mofo visível no filtro, substitua-o imediatamente”, recomenda a médica.

Crianças exigem cuidados especiais no outono

A baixa umidade do ar, característica do outono brasileiro, favorece a circulação de poluentes e micro-organismos na atmosfera. A pediatra da Clínica Samci (RJ), Carina Lopes Paes, que é membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que o tempo seco pode desencadear processos inflamatórios nos olhos, nariz, pulmões e garganta dos pequenos. “As crianças, de modo geral, são mais frágeis porque ainda não amadureceram o seu sistema de defesa”.

As crianças alérgicas merecem cuidados dobrados, pois são as maiores vítimas das alergias respiratórias no outono. “Rinites alérgicas e asma são os grandes vilões das crianças nessa época do ano, quando registramos pelo menos 30% de aumento no número de atendimentos no pronto socorro e ambulatório”, relata a médica.

As rinites se manifestam por coriza, espirros, purido nasal, olhos lacrimejantes e irritação respiratória com tosse. “Os sintomas são parecidos com os de um resfriado, mas são mais persistentes”, explica Carina. Já a asma se manifesta por tosse intensa, cansaço, e dificuldade para respirar. Febre e chiados no peito também são comuns. “A asma requer mais atenção, pois se não for tratada pode até levar criança à morte”, completa a especialista.

Confira algumas dicas das especialistas para evitar novas crises alérgicas

- Mantenha a casa arejada;

- Cortinas e sofás de tecido, carpetes e pelúcias acumulam pó. Evite esses itens em casa, sobretudo nos quartos das crianças;

- Hidrate seu organismo. Beba muita água e sucos para repor os líquidos perdidos nos dias mais secos;

- Evite longos períodos no ar condicionado. O aparelho resseca o ambiente;

- Evite animais, produtos de limpeza com cheiro forte e cigarro dentro de casa;

- Quando os olhos e nariz começarem a irritar, aplique soro fisiológico. Uma boa alternativa é o uso de umidificadores nos ambientes mais frequentados pelas crianças;

- Nunca medique seu filho. Ao perceber sinais de rinite ou asma, procure ajuda médica.