Oceano Atlântico poderia guardar restos humanos do Titanic

Cem anos após o naufrágio do Titanic, o fundo do Oceano Atlântico, para onde o navio afundou após colidir com um iceberg, ainda poderia abrigar restos humanos. A hipótese, cunhada a partir de fotos inéditas dos sedimentos oceânicos da tragédia de 15 de abril de 1912, é de James Delgado, diretor da repartição de legado marítimo da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, pela sigla em inglês), órgão federal dos Estados Unidos da América.

Nesta semana, por ocasião do centenário do acidente, a NOAA divulgou imagens de detalhes do cemitério da embarcação no fundo do Atlântico. Nelas, podem ser vistas botas dispostas quase que perfeitamente uma a ao lado das outras, como se alguém tivesse estado ali. "Não se trata de calçados que cuidadosamente caíram da bolsa de alguém, um ao lado do outro", teoriza Delgado. Para ele, a posição das botas sugere que o corpo de alguém que estava a bordo do navio teria ficado no local.

A questão é discutível a ponto de fragilmente apontar para o conceito 'resto humano'. O cineasta James Cameron, que visitou extensivamente a carcaça do Titanic, diz que encontrou sapatos, "o que fortemente sugeriria que, em algum ponto (do tempo), houve ali um corpo. Mas nós nunca vimos nenhum resto humano", defende Cameron. Delgado, assim, aponta a discussão para um debate semântico. "Como arqueólogo, eu diria que se trata de restos humanos. Que, nestes sedimentos, há muito provavelmente vestígios forenses desta pessoa", contrapõe, falando sobre a imagem das botas.

Para ele, descobertas deste tipo somam-se para lançar luz ao custo humano da tragdia do Titanic, bem como auxiliar no trabalho de proteção e manutenção da região da arcada do navio - que ganhou, no início deste mês, proteção da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).