Obstetra alerta para importância da manutenção da saúde antes da gestação

Na última quarta-feira (11), um artigo publicado na revista norte americana Nursing for Women’s Health apontou a importância da boa saúde da mulher não apenas durante a gestação, mas também antes da gravidez. Segundo a publicação, os métodos contraceptivos devem ser usados de maneira correta, de forma a dar à mulher o controle do momento ideal para a gestação, pois alguns problemas de saúde podem gerar complicações durante a gravidez e no momento do parto. No Dia do Obstetra, comemorado hoje, a importância desta preparação para a gestação é destacada em meio a muitas outras preocupações que chegam junto com o momento da maternidade.

Nos Estados Unidos, um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) publicado em 2009 mostrou que, no período entre 1998 e 2005, houve um aumento de complicações severas durante a gravidez, como falência renal (21%), embolia pulmonar (52%) e a necessidade de transfusão de sangue (92%). Segundo a obstetra e ginecologista Denise Coimbra, as principais preocupações em termos de complicações durante a gravidez são sobrepeso e idade avançada.

“O melhor momento não é aquele em que a mulher pensa em fazer regime, já que com a gestação ela vai ganhar de nove a 12 quilos. Se ela adia muito a maternidade, ela pode ter outras patologias adquiridas com a idade, como diabetes, hipertensão, disfunções na tireoide. Antes dela pensar numa gestação, é bom que ela faça uma consulta com um clínico para descartar patologistas associadas”, aconselha a obstetra.

A diretora do Programa de Saúde Feminina da Associação de Saúde Feminina, Obstetrícia e Neonatal (AWHONN, na sigla em inglês), Catherine Ruhl, garante que, se as mulheres puderem escolher quando ficarão grávidas, elas poderão proteger a si mesmas e ao bebê de complicações relativas à maternidade. Denise cita também as preocupações com as deficiências hormonais, já que a gravidez transforma a mulher em uma pessoa anêmica naturalmente, e se ela já sofrer deste problema, os riscos de complicações são ainda maiores.

Problemas circulatórios e cardiológicos também precisam ser controlados antes da gestação. Caso a mulher já sofra de alguma patologia, Denise aconselha que o acompanhamento da gravidez seja feita por uma equipe multidisciplinar, composta por uma obstetra e os médicos especialistas nas eventuais patologias.

“A gravidez em si aumenta o risco de trombose em 50%. Se essa mulher tiver algum problema circulatório tem o risco aumentado só pelo fato de ficar grávida. O planejamento da gravidez ideal é estar com boa saúde física e clínica e um bom acompanhamento neonatal”, explica.

Perguntada sobre uma idade ideal, a ginecologista afirma que fala-se apenas sobre a idade não recomendada, que seria quando a mulher ainda não tem o sistema hormonal maduro, apesar de já menstruar, e acima dos 45 anos, quando Denise sugere que a mulher paute pela sua saúde em detrimento de uma gestação.