Estudo sugere que radiografias dentárias favorecem desenvolvimento de tumor

Um estudo realizado nos Estados Unidos sugere que os indivíduos que se submetem com alguma frequência a radiografias dentárias têm maiores probabilidades de desenvolverem meningioma, um dos tipos mais comuns de tumor cerebral, que se forma na membrana que envolve o órgão ou na medula espinhal. Em geral não é maligno, mas em alguns casos pode ser potencialmente fatal ou provocar sequelas graves. O trabalho, divulgado na edição desta terça-feira da revista especializada Câncer, foi feito por profissionais da Escola de Medicina da Universidade de Yale, em Connecticut, do Colégio Baylor de Medicina, no Texas, e da Universidade de Duke, na California.

Os cientistas analisaram 1.433 pacientes diagnosticados com a enfermidade e perceberam que o número dos que relatavam ter feito o exame conhecido como "asa de mordida, em que um filme de raio x é colocado em uma placa presa pelos dentes , era até duas vezes maior do que no grupo de controle, formado por pessoas saudáveis. Os que disseram ter o hábito de fazer radiografias panorâmicas, usadas por especialistas para observar a dentição em sua totalidade, eram de 2,7 a 3 vezes mais propensos a desenvolver o meningioma.

De acordo com a neurocirurgiã da Universida de Yale Elizabeth Claus, que liderou o estudo, isto é um indicativo de que os dentistas devem ter em mente que, apesar de o raio-x constituir uma ferramenta importante para a manutenção da saúde bucal, a sua indicação deve ser moderada para que os pacientes não sejam expostos a um risco desnecessário. 

"O estudo proporciona uma oportunidade ideal para que na saúde pública seja tomada uma maior consciência sobre o uso dos raios X dentários, que, diferentemente de muitos fatores de risco, é modificável", disse a médica, que pondera que as técnicas usadas hoje em dia são menos danosas porque geram menos radiação do que no passado.  

Atualmente, nos Estados Unidos, a recomendação é para que as crianças realizem uma radiografia dentária a cada um ou dois anos, os adolescentes a cada um ano e meio a três anos, e os adultos a cada dois ou três anos.