Organização do cérebro é mais simples do que se pensava, aponta estudo

Estudo liderado pelo neurocientista Van J. Wedenn, do Hospital General de Massachussets, em Boston, nos Estados Unidos, mostra que o cérebro humano se organiza de maneira muito mais simples do que se pensava. Em vez de um emaranhado de conexões aparentemente aleatórias, as fibras nervosas que transportam os sinais cerebrais estão dispostas em uma grade tridimensional interligada, sem lados nem regiões para executar tarefa específica. O  resultado foi publicado na  revista Science.

Os pesquisadores usaram um equipamento de imagem de alta sensibilidade para monitorar o movimento das moléculas de água nas interseções das fibras cerebrais e definir em qual sentido se cruzavam. Todas eram perpendiculares ou paralelas ao percurso original, formando um padrão semelhante ao dos fios de um tecido.

Wedeen compara a disposição à cidade de Nova York: "as ruas representariam as dimensões paralelas e os elevadores dos edifícios a perpendicular", assinala. Embora em escala menos complexa, o mesmo foi observado em outros animais, o que poderia indicar uma estrutura comum que modificou-se gradualmente durante o processo evolutivo. "A  simplicidade vista  é o motivo pelo qual ele consegue acomodar as mudanças”, acrescenta.

A expectativa é de que, a partir da descoberta, os cientistas consigam observar diferenças individuais em determinadas conexões  e, assim,  aprimorar o diagnóstico e desenvolver novos tratamentos para transtornos cerebrais, como o autismo e o mal de Alzheimer.