Infectologista alerta para os perigos trazidos pela água da chuva

Não bastassem as preocupações com alagamentos, enchentes, desmoronamentos e acidentes de trânsito, a chuva intensa que tem deixado cidades brasileiras em estado de emergência traz também o risco de doenças como a leptospirose, a hepatite A e a dengue, que têm sintomas muito parecidos. De acordo com a infectologista Isabela Ballalai, diarréia causada pelo consumo de água contaminada deve ser levada a sério.

 Para evitar esse problema, alguns cuidados devem ser tomados. “Se a água apresentar cor e cheiro, não pode ser consumida. É mais seguro comprar água mineral engarrafada, mas se isso não for possível, a água deve ser filtrada ou fervida”, explica a médica. Outra opção é usar uma solução de hipoclorito de sódio (2,5%), encontrada em centros de saúde. A indicação é diluir duas gotas da solução em um litro de água e esperar 30 minutos para eliminar as bactérias.

Além disso, a médica orienta que se algum familiar ou amigo apresentar três ou mais episódios de diarreia em um intervalo de 24 horas, o o ideal é que procure atendimento médico. Caso duas ou mais pessoas apresentem diarreia, náusea, vômito e dor abdominal depois de beber e comer alimentos da mesma origem, isso pode ser um surto.

É preciso atenção também na hora da alimentação. É importante não consumir alimentos com cheiro, cor ou aspecto fora do normal (úmido, mofado, murcho); leite, carne vermelha, peixe, frango, ovos crus ou mal cozidos; frutas, verduras e legumes, principalmente aqueles que entraram em contato com a água da enchente.

Imunização

Desde 2006, o Brasil conta com uma vacina capaz de prevenir a infecção por rotavírus. A mesma faz parte do programa nacional de imunização, mas apresenta algumas limitações importantes. O esquema vacinal recomendado é de duas doses, aos dois e quatro meses de idade. Essa vacina não deve ser aplicada fora da faixa etária indicada devido ao risco aumentado de reações adversas. Isto significa que, atualmente, 180 milhões de brasileiros estão expostos ao vírus, sem qualquer tipo de cobertura. Além disto, a vacina não é eficaz em 15% dos casos.

Até a aprovação da Nitazoxanida não havia nenhum tratamento específico para combater a doença. A terapia consistia apenas na reidratação oral ou venosa. Ela não substitui a hidratação, porém é eficaz no tratamento da rotavirose, diminuindo a duração dos sintomas.