Kindle Fire e Nook chegam para balançar o mercado do iPad

Até o presente, todo e qualquer tablet que é lançado nasce para concorrer com o iPad. É de 'concorrente do iPad' que o Kindle Fire vem sendo chamado desde que foi anunciado pela Amazon no final de setembro. Já o Nook Tablet, apresentado no último dia 7, chega às lojas dos Estados Unidos no dia 18 como concorrente declarado de um tablet em específico: o Kindle Fire, à venda nas lojas a partir desta segunda-feira. E mesmo que a Amazon queira muito alcançar o inalcançável iPad - ao menos até então -, ao que parece, a disputa será mesmo com a Barnes & Noble.

Criado para bater de frente com o Kindle Fire, o Nook Tablet nasceu da mesma premissa que seu concorrente: os leitores eletrônicos, ou e-readers. E, de longe, são bastante semelhantes. Tela de 7 polegadas multi-touch, processador dual-core, Wi-Fi (sem 3G) e muitos, mas muitos serviços via web. Os US$ 50 dólares de diferença no preço talvez se expliquem pela capacidade de armazenamento: o Nook Tablet tem 16 GB (que podem ganhar mais 32 GB com slot DS) e o Fire, 8 GB. A bateria também pode se tornar um diferencial, especialmente para aqueles usuários que estiverem atrás de um upgrade dos seus e-readers. O Fire da Amazon dura oito horas de leitura, 7,5 com vídeos e sem wi-Fi. Já o Nook tem duração de 11,5 horas de leitura, nove para vídeos.

Um sinal de que a Apple não está nem um pouco preocupada com as investidas de Jeff Bezos, CEO da Amazon, é a opinião de seus executivos, que já sinalizaram: mais do que concorrer com o seu dispositivo móvel, Amazon, e por consequência a Barnes & Noble, detentora do Nook Tablet, vão é fragmentar ainda mais a plataforma Android. Conforme divulgou o site AppleInsider, em uma conversa com Reitzes Ben, da Barclays Capital, o CEO da Apple, Tim Cook e o diretor de finanças Peter Oppenheimer disseram que enquanto forem compatíveis com o Android, com aplicativos ligados aos produtos da Amazon (no caso do Fire), os tablets só contribuirão com a fragmentação do sistema operacional do Google. E quanto mais fragmentação, melhor. A fragmentação, segundo os executivos, poderia levar os consumidores à plataforma da Apple, mais estável.

Com versões proprietárias feitas em cima do Android, os dispositivos perdem muito por oferecerem ao usuário um sistema que não traz consigo o Android Market, por exemplo. Ainda que a Amazon saia na frente no quesito aplicativos, com uma variedade maior de jogos, nenhuma das duas lojas de aplicativos se equipara a da Apple, obviamente, e nem mesmo ao Android Market. Como bons fabricantes de e-readers que são, e boas livrarias, Amazon e Barnes & Noble oferecem uma grande quantidade de títulos de livros.

Os vídeos, grande filão que ambos os fabricantes querem abocanhar, prometia uma briga boa, até poucos dias. Enquanto a Amazon oferecia o Netflix como serviço de streaming de vídeos, o tablet da Barne & Noble vem acompanhado do Hulu. No entanto, nessa sexta-feira, a Amazon anunciou que terá também o Hulu Plus em seu dispositivo, além de games da Electronic Arts e Zynga de acordo com informações do Business Insider.

De início, os tablets da Amazon e da Barnes & Noble largam com um importante diferencial competitivo no mercado: o preço. O Kindle Fire custará US$ 199 (em torno de R$ 350) e o Nook Tablet US$ 249 (R$ 438). Enquanto isso, o modelo mais simples do iPad 2 da Apple, de 16 GB e Wi-Fi, custa US$ 499 (cerca de R$ 878).

Recentemente, um rumor de que a Apple combateria o tablet da Amazon com o lançamento de um "mini iPad" rondou a internet, mas Reitzes, citado pelo Apple Insider que esteve com os executivos da empresa, acredita que a Apple pode, eventualmente, experimentar um preço mais baixo do que o atual, mas não vai cortá-lo drasticamente a ponto de sacrificar a qualidade do produto e a experiência do usuário.

De qualquer forma, e como bem observa o site Read Write Web, a entrada de ambos os dispositivos no mercado deve, mesmo que pouco, balançá-lo. Em época de Natal, quando o dinheiro faltar para os presentes, muitos devem optar por um tablete menos completo que o iPad, mas que custa a metade do preço. Além disso, podem, quem sabe, criar uma subcategoria de dispositivos dentro da categoria tablets. O aumento solicitado pela Amazon dos pedidos do Kindle Fire aos fabricantes para mais de cinco milhões de unidades antes do final do ano confirma que o mercado vai balançar - se já não balançou.