Produção de chips no país quer levantar setor de semicondutores

A joint-venture HT Micron, formada pela empresa gaúcha Parit Participações e pela sul-coreana Naha Micron pretende abocanhar com a produção nacional de chips encapsulados parte de um mercado que hoje movimenta US$ 17 bilhões anualmente no Brasil: o de semicondutores. A incipiente participação do país nesse setor da indústria começa a mudar com o lançamento do primeiro lote de smart chips produzidos nacionalmente, produto que abastece o mercado de telefonia celular, cartões bancários e identificação.

Para o presidente da HT Micron, Ricardo Felizzola, o objetivo é complementar a cadeia produtiva brasileira, que hoje importa todos os chips encapsulados que alimentam o mercado de telecomunicações e bancário. "Esse é um passo para desenvolver a cadeia de semicondutores. O Brasil tem indústria zero nessa área, e nós estamos em um segmento de futuro onde há interesse nacional de desenvolver essa tecnologia", afirma o executivo.

A empresa hoje está instalada na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, mas pretende inaugurar uma planta própria de 9 mil m² até o ano que vem. A HT Micron pretende investir R$ 200 milhões nos próximos cinco anos na produção de chips encapsulados, gerando mais de mil empregos e com previsão de faturamento de R$ 1 bilhão até 2016. A meta da companhia é se tornar a maior fabricante de encapsulamento e teste de semicondutores da América Latina.

Segundo Felizzola, a principal dificuldade para implementar uma indústria de semicondutores no País é a competitividade dos produtos importados. "Essa é uma indústria nascente no Brasil, e sabemos que não podemos nascer competitivos. Nós temos um parceiro mundial e vamos entrar nesse mercado com um investimento compatível com a expectativa do governo brasileiro para posicionar o país nessa área", afirmou.

O que é necessário são medidas para tornar o produto nacional competitivo com o que o produto que o Brasil importa hoje, segundo o executivo. A HT Micron, quando estiver com sua planta industrial finalizada, terá capacidade de produção de 3 milhões a 4 milhões de chips por mês, cerca de 10% do que é importado atualmente. "Estamos atrás de vantagens para nossos clientes", afirma Felizzola, que garante que incentivos fiscais são essenciais para o setor de semicondutores se estabelecer no Brasil, e destaca, por exemplo, o Processo Produtivo Básico dos tablets - que exige que uma porcentagem dos componentes usados nos dispositivos fabricados no País sejam nacionais -, que vai estimular a indústria local.

Felizzola é otimista quanto ao desenvolvimento do setor no Brasil, mas reafirma a necessidade de apoio governamental. "Esser tipo de indústria, para se tornar competitiva, leva 20 anos. Felizmente, o Brasil vem com políticas industriais coerentes, e isso vai gerando confiança e essa confiança vai gerando investimento", avalia. "Sabemos que estamos entrando em uma indústria em que o retorno é relativamente pequeno pelo investimento feito, mas é uma indústria de base para a área de inovação no mundo inteiro", afirma.