Instituto Vital Brazil fabrica remédio para doença rara

Produção de substância vai reduzir os gastos com a compra do medicamento importado 

O Instituto Vital Brazil (IVB) já desenvolveu os seis primeiros miligramas da octreotida sintética, substância essencial para a fabricação do medicamento que combate a acromegalia, síndrome rara causada pelo aumento da taxa do hormônio do crescimento.

Segundo o Ministério da Saúde, 7 mil pessoas têm a doença no país e dependem de remédio importado distribuído pelo órgão federal.

– Esse é um passo muito importante para a síntese do produto. É uma grande conquista. Ao todo, utilizaremos aproximadamente 500g da substância para atender a demanda anual do Ministério da Saúde - disse o presidente do instituto, Antônio Werneck.

Em junho deste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 25 milhões com a comprado medicamento importado. Ao passar a comprar do IVB, o projeto prevê a redução de 15% dos gastos no primeiro ano e 5% nos anos subsequentes, o que vai resultar em economia de R$ 53 milhões, em cinco anos, para o Ministério da Saúde.

– Esta economia pode significar, também, um aumento do acesso ao medicamento pela população, se houver demanda para isso, o que acreditamos que exista – afirmou Werneck.

A produção da octreotida faz parte de um termo de compromisso entre o Vital Brazil e o Ministério da Saúde, firmado em abril de 2010, que garante a compra do medicamento produzido pelo instituto. O acordo prevê a fabricação vertical, que é o desenvolvimento do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), produção e registro. Historicamente, o Brasil depende de aproximadamente 85% de IFAs estrangeiros.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Saúde, financia toda a parte de pesquisa e desenvolvimento da matéria prima, uma parceria entre o Vital Brazil, a empresa de biotecnologia Hygeia e o Instituto de Bioquímica da UFRJ.