Novo adaptador permitirá que câmeras comuns "enxerguem" câncer

Um grupo de cientistas dinamarqueses está desenvolvendo um acessório para câmeras fotográficas e de vídeo que os permitirá captar a energia luminosa na faixa do infravermelho, podendo ser utilizado na detecção de células cancerígenas.

O dispositivo, ainda em desenvolvimento por Jeppe Dam e seus colegas da Universidade Técnica da Dinamarca, é capaz de transformar a radiação do infravermelho em luz visível, segundo o site da revista New Scientist.

No centro do sistema há um cristal de óxido de titânio e potássio que recebe os fótons do infravermelho do objeto e os mistura com os fótons também do infravermelho de um laser aplicado dentro do cristal. A intermodulação com o laser muda o comprimento de onda da energia, preservando a imagem do objeto e fazendo com que câmeras comuns possam enxergar essa radiação.

O dispositivo pode ser colocado na frente da lente de qualquer câmera, agindo como um filtro. Entretanto, os pesquisadores acreditam que diminuí-lo, para que seja ainda mais adaptável às câmeras, seja algo fácil de ser feito.

Dam afirma que o acessório pode ajudar médicos a identificar um câncer apenas fotografando os pacientes, já que as células cancerígenas apresentam em geral ligeiras diferenças de temperatura em relação ás células normais - a emissão de infravermelho está ligada à temperatura. Além disso, em uma cirurgia de remoção de tumores, por exemplo, os médicos poderão saber em tempo real se todas as células foram removidas.

Além dos benefícios médicos, o gadget será mais fácil de operar, já que funciona na temperatura ambiente - ao contrário dos 200 graus negativos requeridos atualmente pelas câmeras especializadas - e também deve custar cerca de US$ 10 mil (cerca de R$ 17 mil), apenas 10 % do valor das câmeras atuais.