Grávida insiste em ter filho no hospital que registrou 11 mortes em 40 dias

BRASÍLIA - A dona de casa Cristiane Santos Souza, grávida de nove meses, ignorou os casos de mortes por infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS) e manteve a decisão de fazer, nesta segunda-feira, o parto no local. Porém, a insistência da gestante não surtiu efeito. Por precaução, o hospital está evitando novas internações.

A dona de casa afirmou que confiava no hospital porque ali havia dado à luz à primeira filha. Mas Cristiane admitiu medo de o bebê ser contaminado. “Estou com muito medo, sim, mas vou fazer o quê? Vou correr o risco. Foi aqui que tive minha primeira filha e nem tentei ir a outro hospital”, afirmou a grávida.

O marido de Cristiane, Ronaldo da Silva Oliveira, lamentou a recusa do HRAS porque, segundo ele, a opção que o casal tem é outro hospital público perto de onde mora, na cidade satélite do Paranoá, uma das regiões pobres do Distrito Federal. “Aqui [no HRAS] é melhor. Lá [no Paranoá] o atendimento é precário”, disse ele.

A UTI do HRAS foi atingida por um surto de três bactérias, que matou 11 bebês em 40 dias. Por segurança, a direção do hospital determinou o isolamento de seis bebês, enquanto 24 são mantidos em observação. Em todo Distrito Federal há 81 leitos de UTI na rede pública, todos lotados.