Conferência em Israel apresenta inovações no campo da nanotecnologia

Na conferência Nano Israel, que aborda temas sobre nanotecnologia na cidade de Tel Aviv, as novidades são cada vez mais impressionantes para o novo mercado que segue em grande desenvolvimento pela ciência.

Descobertas como um material da espessura de apenas um átomo, que possuí características de um "minissubmarino" foram apresentadas no local e mostraram serem capazes de administrar a quimioterapia dentro de um tumor.

Inovações como essas foram apresentadas na feira que atraiu 1.500 participantes para os dois dias de evento. Os atraídos são os mais diversos como químicos, físicos e pesquisadores médicos, que têm em comum seu trabalho com estruturas minúsculas.

"Todos trabalhamos para sermos capazes de manipular moléculas em nível atômico", contou Dan Peer, professor do departamento de Imunologia e Pesquisa Celular da Universidade de Tel Aviv.

Peer tenta averiguar como tratar mais adequadamente um câncer ou inflamações associadas a doenças como a esclerose múltipla, mediante um uso mais acertado de tratamentos como a quimioterapia.

"Às vezes o medicamento está lá, mas não funciona de forma acertada", explicou Dan Peer à AFP.

Nestes casos, os cientistas estão tentando encontrar a forma de inserir tipos de "sistemas GPS" nos medicamentos para que atinjam mais diretamente às células malignas ou às inflamações.

Uma forma de fazê-lo é unir o tratamento contra o câncer a uma vitamina que os tumores absorvem facilmente, o que permite que a medicação penetre nas células malignas.

"Pode-se criar novos materiais, novos veículos para os tratamentos, como bolhas minúsculas ou minissubmarinos que os introduzam no corpo", explicou Dan Peer à AFP.

Joseph Kost, professor do departamento de engenharia química da Universidade Ben Gurion do Neguev (sul), está trabalhando em uma técnica capaz de aplicar a um tumor um medicamento usado na quimioterapia, o cisplatino.

Segundo explicou, o medicamento é introduzido em um pequeno recipiente e veiculado dentro do tumor como se fosse uma "ogiva terapêutica". Uma vez no interior, os cientistas irradiam os veículos que contêm o medicamento, mediante ultrassom, dispersando assim o tratamento por todo o tumor.

Outros participantes do evento, como Andre Geim, ganhador este ano do prêmio Nobel de Física, estão empregando a nanotecnologia para desenvolver materiais novos com um amplo leque de aplicações.

Geim, um cientista russo que trabalha na Grã-Bretanha, apresentou seus trabalhos sobre o grafeno, uma estrutura de grafite da espessura de um átomo que é mais dura que o diamante.

"Pode-se fazer milhares de aparelhos a partir deste grafeno", que poderiam servir no futuro para sequenciar mais rapidamente o DNA ou fabricar condutores mais eficazes, disse perante uma audiência de pesquisadores de 35 países.

Para Israel, sediar esta reunião de nanopesquisadores é uma forma de promover um setor no qual o governo está apostando.

"Vemos isto como uma importante iniciativa econômica para o futuro de Israel", disse Barry Breen, porta-voz da Iniciativa de Nanotecnologia Nacional de Israel, entidade assessora do governo.