Sequenciado genoma de indivíduos de África, Europa e Ásia

Cientistas americanos desenvolveram, pela primeira vez, uma técnica para sequenciar e comparar os genomas de 179 indivíduos representativos de África, Europa e Ásia, segundo estudo publicado esta quarta-feira.

O novo método, analisado através de poderosos computadores, permite aos cientistas explorar zonas do genoma humano nas quais as sequências de DNA são muito similares e se repetem muitas vezes, permitindo lançar luz sobre variações genéticas entre povos distintos.

As sutis variações genéticas contêm chaves para entender a diversidade da humanidade, bem como a evolução humana e o desenvolvimento do cérebro, segundo a pesquisa, publicada nas revistas Nature e Science.

"Este estudo fornece o primeiro inventário em larga escala da diversidade genética", disse Lynn Jorde, chefe de genética humana da Escola de Medicina da Universidade de Utah e co-autor do estudo.

Inicialmente, os cientistas recrutaram no estudo 60 moradores de Utah (oeste), representativos do norte da Europa; 60 nigerianos, da África, e 30 chineses e 30 japoneses, da Ásia, e sequenciaram, no total, os genomas de 179 pessoas.

O estudo faz parte do consórcio 1000 Genomes Project (projeto 1000 genomas), uma colaboração internacional de centenas de geneticistas, que se dedicam a catalogar a diversidade genética e caracterizar 95% das mutações genéticas humanas mais comuns.

O estudo trouxe maiores evidências de casos recentes de seleção natural em novos genes, e apóia a teoria de que os humanos ainda estão evoluindo, disse Jorde.

Um estudo prévio, também realizado pelo laboratório de Jorge este ano, mostrou que a seleção natural genética nos últimos 5.000 a 10.000 anos permitiu ao povo do Tibete viver em um ambiente com ar rarefeito.

A pesquisa também melhorou a compreensão sobre como as doenças genéticas podem ser transmitidas de geração a geração.