AVC mata uma pessoa a cada seis segundos, diz especialista

AGÊNCIA NOTISA - Análises da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a partir de dados do Ministério da Saúde, apontam que a cada cinco minutos um brasileiro morre vítima de alguma doença cerebrovascular. Entre elas, o acidente vascular cerebral (AVC) é o grande vilão – responsável pela morte de mais de 100 mil brasileiros por ano, calculam neurologistas da ABN. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença causa uma morte a cada seis segundos no mundo.  

Segundo Christian Naurath, membro do Departamento de Doenças Cerebrovasculares da ABN, o AVC decorre da insuficiência no fluxo sanguíneo em uma determinada área do cérebro. Podendo ser isquêmico, quando originado por obstrução de vasos sanguíneos (cerca 80% dos casos), ou hemorrágico, quando resulta de uma ruptura do vaso cerebral (20% dos casos).  

“Essa falta ou restrição no fornecimento de sangue pode provocar lesão ou morte celular, além de danos nas funções neurológicas. Estes danos provocam uma série de repercussões sociais, como o afastamento do trabalho”, diz o médico.  

Christian explica que a doença possui maior incidência em pessoas com idade superior a 55 anos, pertencentes à raça negra e com histórico familiar de doenças cardiovasculares. Porém, existe uma série de outros fatores de risco que também podem levar ao AVC. Os principais são: hipertensão, diabetes, tabagismo, consumo frequente de álcool e drogas, estresse, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, sedentarismo e doenças hematológicas.  

O médico lembra que a maioria dos fatores de risco é passível de intervenção, sendo, portanto, possível fazer um tratamento preventivo. 

Contudo, segundo o especialista, mais importante do que prevenir, é conhecer os sintomas e sinais do AVC, para que na vigência de algum deles, o indivíduo procure imediatamente o atendimento médico. “As intervenções possuem maior eficácia quando desempenhadas até três horas após o início dos sintomas”, diz.  

Christian explica que, no Brasil, a população não conhece os sinais e sintomas da doença, ao contrário de outros países onde existe uma campanha maciça de conscientização. Felizmente, é muito simples identificar a ocorrência de um AVC e o médico ensina como proceder. “Os três sinais chaves para perceber rapidamente o AVC são: 1 – observar se a fala da pessoa está confusa, enrolada; 2 – observar se a face, o sorriso de um lado do rosto está diferente do outro, quando a pessoa fala; 3 – verificar se ao levantar os dois braços, um deles apresenta menos força e tendência à queda”.  

Fora esses sinais, existem outros, como dormência, perda de força, tonteiras, desequilíbrios e sonolências. Essas manifestações significam que o AVC já está ocorrendo, podendo ser transitório – com duração de alguns minutos –, ou persistir. Mesmo no primeiro caso, Christian ressalta que é essencial procurar um médico. “O evento transitório aumenta o risco de um AVC com sequela permanente”, diz.  

Para melhor esclarecer a população acerca dos sintomas, tratamentos e as formas de prevenção, a ABN, em parceria com a Rede Brasil AVC e a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares promovem durante 23 e 29 de outubro a Semana Nacional de Combate ao AVC. As ações ocorrem em todo o país e sua relação está disponível em www.brazilianstrokenetwork.org.br.