Uso de medicamentos é alto em crianças até dois anos de idade

Agência Notisa

RIO DE JANEIRO - Para investigar a utilização de medicamentos em crianças aos três, 12 e 24 meses de idade, Edilson Almeida de Oliveira e colegas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) investigaram dados da Coorte de Nascimento de Pelotas, Rio Grande do Sul, de 2004. Os autores mostram na pesquisa publicada em agosto na Revista de Saúde Pública que a utilização de medicamentos foi elevada entre os participantes.

Segundo o artigo, os autores analisaram dados de 3.985 crianças com três meses de idade, de 3.907 com 12 meses e de 3.868 com 24 meses. Eles consideraram os medicamentos usados pelas crianças nos 15 dias antes da entrevista com os pais.

Aos três meses, 65% das crianças haviam utilizado medicamentos. Aos 12 e 24 meses, a prevalência foi de 64,4% e de 54,7%, respectivamente. Com o avanço da idade observou-se diminuição no número total de medicamentos utilizados e aumento na automedicação, essa última chegando a 34% aos 24 meses. Também, a frequência do uso de medicamentos em caráter eventual aumentou e diminuiu a de uso contínuo , dizem na publicação.

Além disso, Edilson e colegas contam que os medicamentos foram adquiridos principalmente com recursos próprios e cerca de 10% no Sistema Único de Saúde.

Aos três meses, os medicamentos dermatológicos foram os mais usados nas crianças. Já aos 12 meses, predominaram os medicamentos para o sistema respiratório enquanto aos 24 meses os analgésicos foram os mais utilizados.

Comparando-se o uso aos 24 meses com o dos três meses de idade observou-se diminuição na utilização de: medicamentos destinados ao trato alimentar e metabolismo, aos órgãos dos sentidos, sistema cardiovascular e produtos dermatológicos. Houve aumento na utilização de: medicamentos anti-infecciosos sistêmicos, destinados ao sistema musculoesquelético, ao sistema respiratório, analgésicos, antiparasitários, inseticidas e repelentes , afirmam os pesquisadores.

Diante da alta prevalência do uso de medicamentos, os autores concluem que há necessidade de priorização do uso racional de medicamentos nos primeiros anos de vida.