Estudo: Brasil é um dos poucos países que não eliminou a hanseníase

Agência Notisa

RIO DE JANEIRO - A hanseníase é uma doença infecciosa que compromete o tecido cutâneo, mucoso e o sistema nervoso periférico. De acordo com o estudo "Avaliação dos serviços de saúde em relação ao diagnóstico precoce de hanseníase", de autoria de Vânia Del'Arco Paschoal, professora da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, o Brasil é o maior responsável pela endemia no continente americano e está entre os 12 países que registraram 90% dos casos no mundo, ocupando o primeiro lugar em incidência e prevalência entre os três países que ainda não eliminaram a doença.

A autora explica, no artigo publicado em junho deste ano na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, que pelo fato do Brasil ser um país continental, há diferenças na distribuição da doença. No Sul do Brasil a doença já apresenta prevalência abaixo de uma para cada 10 mil habitantes, diferente da alta incidência encontrada na Amazônia Legal a Mato Grosso do Sul , diz na pesquisa.

Em muitos estados brasileiros a grande prevalência da doença é explicada, entre outros fatores, pela falta de diagnóstico. Enquanto não há diagnóstico e o tratamento não é iniciado, os multibacilares estão transmitindo a doença , explica a pesquisadora.

O estudo aponta que a busca tardia por atendimento nos serviços de saúde, a falta de informação sobre sinais e sintomas, a dificuldade do indivíduo encontrar serviços, atendimento e/ou profissionais capacitados para detectar a doença são fatores que influenciam o diagnóstico tardio. A autora afirma no artigo que 57% das pessoas que descobrem ter hanseníase já apresentam lesões sensitivas e/ou motoras, deformidades que poderiam ser evitadas .

Outros problemas revelados pelo estudo são o abandono e a irregularidade do tratamento dos portadores da hanseníase.

Para que essas dificuldades relacionadas à doença sejam vencidas, a autora explica que o apoio da família é muito importante. Os serviços de saúde devem envolver os familiares do paciente com hanseníase no controle e tratamento dos seus doentes, despertando-lhes a responsabilidade do autocuidado, cobrando assiduidade dos retornos médicos, controle dos contatos e prevenção das lesões , aconselha no artigo.