Salamandra que vive até 100 anos surpreende cientistas

Portal Terra

SÃO PAULO - Cientistas dizem ter descoberto uma espécie de salamandra cega que vive em média 69 anos e pode chegar até a 100 anos de idade, três vezes mais que espécies próximas. Os pesquisadores acreditam que o estudo da Proteus anguinus pode ajudar a entender os mecanismos de envelhecimento no ser humano, já que esse animal consegue viver muito, mesmo não tendo baixos níveis de metabolismo ou altos níveis de antioxidantes, como era de se esperar. As informações são do Live Science.

De acordo com a reportagem, o proteus já foi erroneamente chamado de "peixe humano" - "peixe" porque passa toda sua vida na água e "humano" por causa da pele rosada que lembra a de muitas pessoas. A salamandra tem olhos atrofiados e virtualmente nenhum pigmento na pele, adaptações para viver em locais praticamente sem luz. Devido ao formato do corpo, esse animal também já foi chamado de filhote de dragão.

"Nós sabíamos há muito tempo que ele tinha um tempo de vida longo, mas não tínhamos dados suficientes para ter certeza", diz Yann Voituron, da Universidade Claude Bernard em Lyon, na França.

Um dos detalhes que intrigam os cientistas é o tamanho da salamandra - de 25 cm a 30 cm de comprimento entre 15 g e 25 g de peso. Pequenas criaturas dificilmente vivem tanto quanto grandes animais, o que leva pesquisadores a suspeitarem que o motivo é o rápido metabolismo de pequenos seres vivos.

Contudo, como o proteus pode viver tanto tempo com um corpo tão pequeno, sem uma taxa de metabolismo lenta e seu uma atividade antioxidante alta? Segundo os cientistas, isso pode ser explicado pela vida lenta desses animais. "(A salamandra) é extremamente inativa durante sua vida. (...) Ela não tem predadores nas cavernas, então também não se estressa. Ela precisa se mover apenas algumas vezes para se alimentar e para se reproduzir uma vez a cada 12 anos", diz Voituron.

Os cientistas também pretendem estudar o animal geneticamente - para tentar identificar alguns genes que possam influir na sua longa vida - e sua estrutura celular. Contudo, os pesquisadores se dizem preocupados em encontrar uma forma de conduzir esses estudos sem fazer mal à salamandra, já que a quantidade de tecido necessária para ser extraída poderia até matá-la. "Nós temos que achar uma forma de trabalhar com ela sem matá-la", diz Voituron.