Instituto faz avaliação da Jabulani usando túnel de vento e raio laser

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O brasileiro não gosta de ficar de fora quando o assunto é futebol. Nas pesquisas científicas sobre a aerodinâmica da Jabulani, a bola da Copa o Brasil não poderia, portanto, deixar de entrar em campo. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, resolveu tirar a limpo a questão e comparou a Jabulani (celebração, em zulu) com a bola usada no Brasileirão 2010.

Os pesquisadores Gilder Nader e Antonio Luiz Pacífico, do IPT, realizaram testes num túnel de vento atmosférico. Foram feitas medições com visualização do escoamento de ar em volta de cada bola, utilizando até raios laser.

Ao ser chutada, a bola ganha uma velocidade que vai diminuindo até atingir o chamado ponto de crise de arrasto , explica Gilder.

É quando ela faz uma curva. Com a bola do Brasileirão, esse ponto demorou mais para ser alcançado, em uma velocidade de aproximadamente 13 metros por segundo. A Jabulani atinge esse ponto e faz a curva bem antes.

Até a Nasa analisou a Jabulani. Ela a comparou com a bola da Copa de 2006 na Alemanha, a Teamgeist (espírito de equipe). A Teamgeist, no lugar dos hexágonos costurados das bolas tradicionais, tinha oito painéis fundidos por um processo térmico. A Jabulani tem 14 painéis e sulcos aerodinâmicos.

Segundo a Nasa, os jogadores controlam menos a Jabulani do que a Teamgeist.

O que estamos vendo é um efeito knuckle-ball explica Rabi Mehta. Knuckle-ball é um arremesso no beisebol, no qual a bola não é segura com os dedos, mas sim com seus nós, resultando em movimento com curva acentuada.

Quando a Jabulani se desloca em alta velocidade, o ar é afetado pela sua superfície, resultando em um fluxo assimétrico. Essa assimetria cria forças laterais que podem resultar em mudanças súbitas no percurso. Assim, a Jabulani tende a assumir o efeito knuckle ao superar os 75 km/h, o que corresponde a um chute forte.

Outro ponto é que vários estádios da África do Sul estão em altitude elevada (Joanesburgo, por exemplo, fica a cerca de 1.600 metros acima do nível do mar). Como a densidade do ar é menor em regiões altas, a bola tende a se deslocar mais rapidamente, com menos empuxo. Coisas do futebol. E da ciência.