Universidades buscarão maior intercâmbio nos próximos anos

Gustavo Casadio, Portal Terra

GUADALAJARA - Terminou nesta terça-feira, na cidade de Guadalajara, no México, o segundo encontro ibero-americano de reitores promovido pelo Universia, braço de apoio a universidades do banco Santander. O evento foi marcado mais por definições de uma agenda a ser cumprida nos próximos anos do que necessariamente por ações ou políticas a serem implementadas pelo conjunto de instituições que participaram.

Dentre os tópicos que os reitores concluíram ser fundamental alcançar estão: levar o ensino superior a mais pessoas, utilizando para isso a internet; crescer o investimento em pesquisa nos países da região ibero-americana; e aumentar o intercâmbio internacional entre as universidades. O evento contou com representantes de 1053 universidades de todo o mundo, instituições públicas e privadas.

Os reitores disseram que o intercâmbio de alunos entre países deve ser uma das principais metas para os próximos anos. Para eles, este trabalho precisa da ajuda de patrocínio de instituições privadas, como faz o Santander por meio do Universia.

O banco anunciou, na segunda, investimento de 600 milhões de euros em educação superior nos próximos cinco anos, que deverá beneficiar cerca de 18 mil estudantes e pesquisadores para estudo em países diversos dos seus de origem.

O evento de Guadalajara, promovido pelo Santander com instituições de países onde sua atuação é mais forte, como Espanha, Portugal e América Latina, propiciou o início de laços entre universidades brasileiras e instituições desses outros países. Reitores do Brasil (cerca de 120 das 150 principais instituições de ensino superior do País) iniciaram contatos com universidades participantes e alguns projetos de intercâmbio podem estar prontos já no próximo semestre.

Embora haja proximidade geográfica entre o Brasil e os países da América Latina, os brasileiros presentes explicaram que a internacionalização das instituições de ensino superior ainda é incipiente na região. Muitas brasileiras já possuem convênio com universidades da Europa e Estados Unidos e o encontro em Guadalajara serviu para aproximá-las das universidades ibero-americanas.

Segundo os reitores, para os estudantes, a experiência internacional é válida para aperfeiçoar sua formação e até facilitar a inserção no mercado de trabalho, já que alguns convênios permitem a obtenção de diploma tanto no país de origem quanto onde é realizada a conclusão do curso.

Ainda sobre o tema, para tentar facilitar essa integração, um documento produzido ao final do encontro prevê a eliminação de obstáculos burocráticos e legais para imigração de estudantes e pesquisadores com esta finalidade.

Fomento à pesquisa

Sobre a melhora conjunta do ensino na região ibero-americana, o presidente mundial do grupo Santander, Emilio Botín, afirmou que os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação nestes países representa apenas 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) destas nações. O papel das universidades da América Latina, Portugal e Espanha será ajudar a aumentar este percentual.

A carta produzida ao final do evento aborda também o compromisso de promover programas de formação de doutores e pesquisadores nestes países. Segundo os organizadores, aproximadamente 13 milhões de universitários da região ibero-americana foram representados no evento.