Atividades ao ar livre melhoram o humor e até a pressão

Marcelo Gigliotti, Jornal do Brasil

RIO - Todo mundo sabe, por intuição ou experiência própria, que uma bela caminhada no calçadão de Ipanema ou uma pedalada pela Lagoa Rodrigo de Freitas consegue levantar o astral e melhorar o humor. Mas o que era apenas uma impressão ganha o respaldo da ciência, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Essex, do Reino Unido.

Segundo os cientistas britânicos, apenas cinco minutos de atividade em uma área livre são suficientes para melhorar o humor e levantar a autoestima. Eles chegaram a esta conclusão depois de estudarem o impacto de atividades ao ar livre de 1.250 pessoas e analisarem dez estudos a respeito da relação entre o ambiente dos exercícios e os efeitos no humor.

A pesquisa dos cientistas Jules Pretty e Jo Barton foi publicada na revista Environmental science and technology. De acordo com o estudo, o maior impacto ocorre entre as pessoas mais jovens. E o efeito é ainda maior se o local da atividade tem água, seja o mar, um rio ou uma lagoa coisa que não falta no Rio de Janeiro.

Há alguns anos, Jules Pretty fez uma experiência na Universidade de Essex, na qual voluntários caminhavam numa esteira enquanto assistiam a projeções de cenas de natureza. O cientista constatou, além do efeito sobre o humor e a sensação de bem-estar, uma melhora na pressão sanguínea dos voluntários. Outro grupo de voluntários, que apenas caminhou sobre a esteira, sem assistir às cenas, não apresentou alterações no humor e na pressão arterial.

Desde então, Jules Pretty vem analisando o impacto de atividades como caminhada, ciclismo, pesca, remo, navegação a vela e até mesmo jardinagem em lugares como parques, jardins, fazendas e parques naturais.

E o que mais impressionou o cientista britânico foi o fato de que o maior efeito sobre o bem-estar acontece nos primeiros momentos da atividade.

Você consegue um benefício substancial nos primeiros cinco minutos. Por isso, eu encorajaria pessoas que vivem situações tensas ou trabalham em atividades estressantes a dar uma rápida passeada para desanuviar a mente, em alguma área verde próxima observa Pretty.

Segundo ele, pessoas sedentárias, estressadas ou deprimidas se mostraram as mais beneficiadas por atividades ao ar livre. Mas os efeitos benéficos também se dão naqueles que não apresentam estes problemas.

Segundo Pretty, este é o primeiro estudo que conseguiu determinar a dose de atividade ao ar livre que é necessária para melhorar a saúde mental.

Se você quer desenvolver uma droga contra a malária ou a Aids, deve produzir uma relação de dose aplicada e resultados. Nosso objetivo foi justamente buscar evidências e quantificá-las sobre os efeitos das atividades em lugares agradáveis ou cercados de natureza conclui Pretty.

Este fim de semana, se o tempo ajudar, é uma boa oportunidade para testar a teoria.