Região entre os trópicos é a chave para entender variedade de espécies

Jornal do Brasil

WASHINGTON - A Organização das Nações Unidas elegeu 2010 o Ano da Biodiversidade. Apesar de existirem cerca de 30 milhões de espécies no planeta, menos de dois milhões foram identificadas até agora 114 mil foram catalogadas nos últimos três anos. O que se sabe é que a região entre os trópicos, que engloba desde a Amazônia até a Mata Atlântica e outras florestas tropicais e equatoriais na África e na Ásia, é a chave para entender a biodiversidade. Daí a importância de proteger estes ecossistemas.

No Parque Nacional de Yasuni, no Equador, por exemplo, em apenas um hectare há mais espécies de plantas do que todas as dos EUA e do Canadá juntas, bem como 150 tipos de anfíbios e 100 mil espécies de insetos.

A cada minuto você vê ou ouve algo novo diz Matt Finer, pesquisador do Save America's Forests, com sede em Washington.

Mais espaço

A região intertropical ostenta mais de dez vezes a quantidade de espécies de animais e de plantas do que o restante do mundo. Essa relação vale tanto para a terra quanto para as regiões abissais oceânicas, segundo os pesquisadores.

De acordo com uma teoria clássica, a razão é simples: há mais espaço habitável na região entre os trópicos do que nos pólos. Faz sentido. Os trópicos englobam uma área quase cinco vezes o tamanho das regiões temperadas e polares da Terra, e há alguma evidência de que espaço habitável está relacionado com o número de espécies na terra.

Taxas de extinção são fator decisivo, com espécies menos propensas a se tornarem extintas perto do equador do que em latitudes mais altas, tornando os trópicos um museu de biodiversidade. Existem inúmeros espécies antigas nos trópicos, indicando que as taxas de extinção tropical são mais baixas do que em regiões temperadas.

Se os trópicos são o motor da biodiversidade, com mais espécies evoluindo lá do que em qualquer outro lugar, por que e como exatamente isto acontece?

Shane Wright da Universidade de Auckland, Nova Zelândia, tem uma explicação razoável. Ele comparou os genes de 45 plantas tropicais comuns com plantas de regiões mais frias, e descobriu que as espécies tropicais tinham mais do que duas vezes a taxa de evolução molecular.

Temperaturas mais quentes poderiam aumentar taxas metabólicas e taxas de replicação de DNA, segundo Wright. Isso aumentaria a taxa de mutação, que, via seleção natural, poderia levar à proliferação de novas espécies.

Temperaturas mais quentes podem, ainda, ser importantes para sustentar a biodiversidade fornecendo muita energia para alimentar estes ecossistemas. Esse parece ser o caso de Yasuni, no Equador. O lugar é quente, com temperaturas mensais médias entre 24 e 27 graus. E as temperaturas à noite nunca caem abaixo de 10 graus, o que protege plantas mais sensíveis ao frio.

O clima estável significa que frutas e flores estão sempre disponíveis, fornecendo muitos alimentos para os animais. Bem como a luz do Sol, Yasuni também tem muita muita água, como toda a região amazônica.

Achar que essa biodiversidade está relacionada com disponibilidade de nutrientes e temperatura é apenas o começo. Os trópicos não são apenas o maior reservatório de biodiversidade, mas também o motor dela local onde grandes adaptações e novas linhagens são formadas. Então, a conservação dos trópicos é essencial.

Com agências