Mudanças climáticas: idosos serão as maiores vítimas

Jornal do Brasil

PARIS - As mudanças climáticas terão efeitos indiscutíveis na saúde, como o aumento das alergias e doenças transmitidas por mosquitos, e o aumento de problemas intestinais ligados à falta de água, advertiram especialistas sexta-feira, em Paris.

Em 2050, um em cada dois verões (hemisfério norte) se assemelhará à onda de calor de 2003 , que na França causou a morte de milhares de pessoas, disse o diretor da Agência Sanitária do Meio Ambiente e do Trabalho (AFSSET), Dominique Gombert.

Segundo ele, já é possível prever que o aumento das temperaturas durante o verão provocará um forte avanço da mortalidade entre as pessoas mais velhas ou frágeis.

Além disso, as ondas de frio serão mais intensas, inclusive mais mortíferas, acrescentou o diretor.

Alguns poluentes, como as partículas finas, também aumentarão, devido ao aquecimento global.

Serão mais precoces e permanecerão por mais tempo afirma Gombert. Esta poluição terá os mesmos efeitos dos picos de poluição atuais, que geram um aumento das doenças respiratórias e problemas cardiovasculares, assim como uma sensibilidade maior às infecções causadas por micróbios.

O aquecimento global provocará redistribuirá a vegetação no território: por exemplo, a oliveira tentará subir para o norte.

Além disso, acrescentou, as árvores com pólen se estenderão, e por isso os períodos com muito pólen vão aumentar, o que provocará mais casos de alergias, indicou.

Outros problemas

São previstos também outros problemas de saúde, como cânceres de pele, devido à intensificação dos raios solares, e o aumento das doenças como a febre tifóide ou a cólera, porque a água será mais escassa e mais contaminada, alertou.

O especialista ressaltou que, embora as ameaças dos efeitos do aquecimento planeta pareçam claras, as medidas para proteger a saúde das pessoas são menos evidentes.

Para reduzir os fatores de risco, será preciso desenvolver a cultura da adaptação , mas essa meta se depara com dificuldades, como a falta de interesse dos médicos, afirmou outro especialista.

O aquecimento global é um tema que interessa aos meios de comunicação, mas menos aos médicos lamentou William Dab, professor da cátedra de Higiene e Segurança no Conservatório Nacional das Artes de Paris.

Segundo ele, as mudanças climáticas não são um risco a mais , entre outros, e sim uma mudança de escala do risco , dada a quantidade de pessoas expostas.

O Observatório Nacional sobre os Efeitos do Aquecimento Global (Onerc) sugere algumas maneiras de combater esses efeitos das mudanças climáticas na saúde, entre elas uma supervisão maior dos agentes infecciosos e da qualidade da água e do ar.