Reflorestamento planejado ganha espaço no mercado

JB Online

SÃO PAULO - Com o crescimento das exigências ambientais, que estão também cada vez mais rigorosas, o reflorestamento planejado (e não o improvisado) tem sido obrigatório para empresas como forma de se compensar o meio ambiente, uma vez que as construções costumam causar significativos impactos socioeconômicos e na biodiversidade do local.

Como consequência, as reflorestadoras aperfeiçoam os serviços que prestam e ampliam as vendas. Reportagem recente do jornal O Estado de S.Paulo mostrou três exemplos de empresas do setor que têm conseguido lucrar ao mesmo tempo em que ajudam a tornar o mundo mais verde e menos poluente.

Expansão

Situada em Piracicaba, no interior de São Paulo, a Bio Flora produz de três a quatro milhões de mudas anualmente. O leque de clientes da empresa é bem variado, no qual estão inclusas companhias, cervejarias e várias usinas que precisam fazer ajustes ambientais ou mesmo que estão interessadas em ações de reflorestamento - um ponto positivo para quem pretende ter uma boa imagem institucional.

"Com as atuais exigências, nossos clientes têm aumentado e mudado. Hoje eles precisam ter mais informações para poder fazer o reflorestamento de forma correto", explicou ao Estadão André Gustavo Nave, diretor da empresa.

O empreendedor acredita que ainda há muito espaço no cenário atual para um aumento da demanda por mudas nativas. A Bio Flora produz 200 espécies de árvores para a recuperação de Florestas. Só para se ter um parâmetro, a atual legislação ambiental prevê o uso de, no mínimo, 80 espécies.

Longo prazo

Já na cidade de Garça, também no interior paulista, a Tropical Flora se destaca pelo perfil diferenciado de sua clientela: boa parte da produção de mudas produzidas pela empresa (ao todo 3 milhões/ano) vai para o setor madeireiro.

"Foi uma maneira de unirmos a questão ambiental com algo que desse retorno financeiro. Pelo menos assim, não vão destruir árvores na Amazônia", destacou Rodrigo Ciriello, diretor comercial da Tropical Flora.

Custos

Já no caso da Camará, empresa de Ibaté, também no interior de São Paulo, as espécies nativas são minoria: cerca de três milhões de mudas por ano, enquanto as de eucalipto contabilizam 12 milhões.

A Camará, em Ibaté, também no interior de São Paulo, tem capacidade de produção de 15 milhões de mudas por ano. No seu caso, as espécies nativas ainda são a minoria: cerca de três milhões, enquanto, de eucalipto, são 12 milhões de mudas.

"Chegamos a pensar em diminuir o plantio de nativas, mas acabamos desistindo. De uns quatro anos para cá, houve um aumento significativo na venda dessas mudas", comemorou Carlos Nogueira, sócio-proprietário da Camará.

A empresa fornece cerca de 70% das suas mudas para São Paulo, sendo que os maiores clientes de espécies nativas são as hidrelétricas. Elas custam em torno de R$ 0,60 a muda, enquanto o eucalipto é vendido por R$ 0,30 a muda.