Mostra em Petrópolis usa interatividade para desvendar o DNA

Fernanda Prates, Jornal do Brasil

RIO - O que o homem, uma onça pintada, uma bactéria e uma rosa têm em comum? São todos seres vivos, logo, todos compartilham uma estrutura essencial: o DNA. Os genes controlam o desenvolvimento, o funcionamento e a manutenção das células do corpo desde o momento que somos concebidos e, no entanto, pouco sabemos efetivamente sobre essa estrutura fundamental. É com a intenção de esclarecer, além de explorar o impacto das descobertas e da manipulação do genoma na ciência, na tecnologia, na medicina e no cotidiano, que chega ao Brasil a mostra Revolução Genômica .

Na verdade, a genética é um mundo, e afeta desde a economia à saúde, atingindo todos os aspectos da nossa vida diz Mario Domingos, assessor científico da exposição e doutor em Ciências da Engenharia Ambiental. A exposição procura colocar questões estruturais básicas para, a partir do conhecimento da estrutura e localização do DNA, mostrar os aspectos da manipulação genética e os efeitos disso no cotidiano.

Realidade

O assunto DNA é um dos maiores objetos de discussão da atualidade. Clonagem, células-tronco e alimentos transgênicos são tópicos polêmicos, tornando-se alvos de inúmeros debates que extrapolam os limites da pesquisa científica e são discutidos em níveis éticos, políticos e econômicos. Questionamentos morais à parte, a manipulação genética já é uma realidade bem concreta, e vem proporcionando avanços sem paralelo nos campos da saúde, do meio ambiente e do desenvolvimento da agricultura e pecuária nos países.

Um exemplo brasileiro é a questão dos alimentos transgênicos. Em uma época em que se busca aumentar a produtividade levando em consideração os aspectos ambientais, os biocombustíveis surgem como uma alternativa energética muito importante.

A partir dos transgênicos, por exemplo, é possível obter plantas com maior capacidade de se converter em biocombustível explica Mario Domingos.

A saúde também vem se beneficiando dos estudos relacionados ao DNA. A terapia genética, por exemplo, é bastante promissora. A ideia básica dessa técnica é a seguinte: se um problema de saúde tem a causa no defeito de um gene, por que não resolver o problema consertando esse defeito inicial?

Como estamos manipulando processos que foram resultado de milhares de anos de evolução, e selecionados dentro de um contexto bem maior, lidamos também com a imprevisibilidade lembra Domingos. Ainda há muitas dúvidas que não conseguimos responder, mas eu acredito que o impacto positivo supera isso. O importante é colocar todos os lados para o público poder opinar.

Esses e outros aspectos são abordados durante a exposição, que, por meio de recursos cenográficos e painéis interativos, procura promover o conhecimento científico, instigar a curiosidade entre adultos e jovens de todas as idades e incitar o questionamento. Para isso, a exposição aposta na interatividade com práticas como o genomômetro , um experimento em que o visitante pode comparar sua semelhança genética com outros seres vivos, ou a Estação da Mutação , em que o público manipula um modelo do DNA de uma mosca e observa as mutações que isso causa.

Mostramos o lado positivo, como a produção de plantas resistentes e nutritivas, mas também pontuamos o outro lado, que nem os cientistas conhecem ao certo resume Domingos. Procuramos levantar questões como: qual a relação do ar que eu respiro e a diversidade genética, já que o próprio funcionamento dos ecossistemas é dependente desta diversidade.

A exposição Revolução Genômica , concebida pelo Museu de História Natural de Nova York e adaptada para o público brasileiro, estará aberta, entre os dias 18 de dezembro e 28 de março de 2010, no Sesc Quitandinha, em Petrópolis. A entrada é gratuita para estudantes e professores de escolas públicas e menores de sete anos.