Desigualdades agravam presença do HIV na América Latina

Daniela Traldi, Rádio das Nações Unidas

NOVA YORK, EUA - A pandemia do HIV na América Latina e no Caribe é estimulada por uma série de desigualdades econômicas e sociais agravadas por um alto índice de estigma, discriminação de grupos vulneráveis, diferenças de gênero e homofobia.

A conclusão é da Cruz Vermelha Internacional, em relatório divulgado nesta segunda-feira em Lima, no Peru, como parte do Dia Mundial de Luta contra a Aids, que será celebrado em 1 de dezembro.

Desigualdades

O relatório revela que, apesar dos esforços para reduzir o impacto do HIV na região, vários fatores ainda não foram corretamente abordados.

Muitos países da América Latina e do Caribe são afetados por desigualdades que criam uma lacuna crescente nas condições de saúde entre as pessoas que podem pagar por serviços médicos e tem acesso à educação de alto nível, e aquelas que vivem em condições precárias.

Apesar de muitas áreas serem consideradas de baixo índice de epidemias entre a população geral, o estudo indica que as taxas de predomínio entre as comunidades altamente vulneráveis são muito altas, geralmente acima dos 5%.

É o caso de homens que se relacionam com outros homens, prisioneiros, profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis. Jovens vulneráveis, migrantes e deslocados também são citados.

Necessidades

Entender as necessidades específicas desses lugares é fundamental para a redução das transmissões, segundo a coordenadora de serviços sociais e de saúde para as Américas da Cruz Vermelha Internacional, Julie Hoare.

O relatório ressalta diversos programas de apoio voltados às minorias, como grupos indígenas da Colômbia e do Equador, e adolescentes do Haiti, Jamaica e Argentina.

A Cruz Vermelha Internacional informa que, só em 2008, ajudaram mais de 27 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo 132 mil portadores do HIV e 128 mil crianças órfãs com Aids.