Ideias para um cérebro mais produtivo

Jornal do Brasil

RIO - O moderno local de trabalho é um ambiente emocionalmente carregado de medos constantes e inconscientes que podem danificar ou mesmo destruir nosso cérebro, de acordo com três livros sobre neurociência publicados recentemente. O fluxo de elementos químicos do cérebro, acionado por experiências comuns no local de trabalho, pode acabar com nossa habilidade de pensar corretamente, prejudicando a produtividade e diminuindo nossa capacidade de resolver problemas ou trabalhar bem com outras pessoas.

Ainda assim, uma maior atenção com nossas emoções e comportamento pode resultar em uma experiência criativa e profundamente recompensadora. Mas para chegar lá é preciso descartar alguns dos nossos hábitos de trabalho mais contraprodutivos, dizem os autores.

Uma das coisas que as empresas precisam fazer é respeitar a natureza profundamente social do cérebro; as pessoas não são racionais, elas são sociais disse David Rock, autor de Your Brain at Work (Seu cérebro no trabalho, em tradução livre). O cérebro é tão social que somos, de fato, levados a aumentar as recompensas sociais, e minimizar as ameaças sociais.

Rock, fundador de uma empresa que aplica as concepções da ciência do cérebro para treinamento de lideranças, lista cinco áreas em que nossos mecanismos de ameaça cerebral são facilmente acionados no trabalho: status, certeza, autonomia, conexão e justiça.

Quando nos sentimos ameaçados em qualquer uma dessas esferas um superior demonstra poder sobre nós, rumores circulam sobre o futuro do emprego, nosso trabalho é subestimado, somos excluídos das conversas dos colegas, ou nosso trabalho é injustamente negligenciado, por exemplo nossos cérebros concentram nossa atenção na ameaça.

Fazendo isso, a mente desvia recursos escassos do córtex pré-frontal, a área que usamos para estabelecer metas, fazer planos, controlar impulsos, resolver problemas, visualizar o desconhecido e pensar criativamente em resumo, a parte do nosso cérebro que usamos para fazer o bom trabalho.

O córtex é o centro do nosso pensamento consciente. Caso esta parte seja privada de combustível, o resultado é a ocorrência de erros, a perda da linha de raciocínio e de informações fundamentais. A produtividade cai e a satisfação com o emprego também.

Rock oferece algumas sugestões para melhorar o funcionamento do cérebro, bem como os quatro autores de The Brain Advantage (A vantagem do cérebro, em tradução livre), Madeleine Van Hecke, Lisa Callahan, Brad Kolar e Ken Paller; e Charles Jacobs, autor de Management Rewired(Atividade recarregada, em tradução livre).

A primeira sugestão diz que é preciso ter mais atenção ao que nosso cérebro está fazendo. Os cientistas também aconselham as pessoas a perceberem suas emoções, o que as ajuda a pensar antes de reagir imprudentemente. Um estudo mostra que, geralmente, temos 0,2 segundo para vetar um impulso depois que ele emerge do inconsciente.

Identificar o nível correto de estresse é outra dica: um pouco de estresse, segundo o s cientistas, é bom para a maioria das pessoas, mas estudos mostram que alto nível de substâncias químicas relacionadas ao estresse, como cortisol e adrenalina, podem matar neurônios e impedir o crescimento de novas células no hipocampo, importante para formar a memória. Melhor autorregulação emocional ajuda, assim como conversar com os amigos e fazer atividade física.

Prioridade

Estudos também mostram que fazer mais de uma tarefa rica em atenção por vez diminui precisão e desempenho, e que a memória começa a se degradar quando mantemos mais de uma coisa de uma só vez na mente. Sempre que possível, dizem os estudos, devemos ficar um tempo longe de telefones e e-mails, para ter pensamentos diferentes. Ver e-mails enquanto se busca inspiração é má ideia. Segundo as pesquisas, só podemos ter poucas horas de pensamento consciente de alto nível por dia. Por isso, devemos saber quando nosso cérebro faz isso, e não preencher este momento com tarefas leves, que podem ser feitas quando estamos cansados ou com pouca energia.

Por fim, os autores dizem que devemos ajudar os colegas a se sentirem seguros nas áreas chave definidas por Rock: status, certeza, autonomia, conexão e justiça.