Rússia lança satélites para monitorar mudanças no aquecimento global

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A Rússia lançou segunda-feira, com sucesso, um foguete Rokot com dois satélites europeus Soil Moisture and Ocean Salinity (SMOS) e Proba-2 que terão como objetivo proporcionar dados sobre o aquecimento do planeta e outras mudanças climáticas.

O SMOS deve recolher sinais de rádio emitidos pelas águas e que permitirão determinar as mudanças produzidas no ciclo das águas pelo aquecimento do planeta e outras mudanças climáticas. O satélite fornecerá dados sobre a umidade do solo e a salinidade dos oceanos.

Já o Proba-2 vai testar equipamentos espaciais em condições reais de voo espacial e observará o Sol, informou a Agência Espacial Europeia (ESA).

A água nos solos e o sal nos oceanos são duas variantes-chave ligadas ao ciclo da água na Terra, com um impacto na meteorologia e no clima , explica um comunicado da ESA.

A agência ressalta ainda que o SMOS permitirá medições globais para todo o planeta.

O aquecimento global é um fato, mas suas consequências no ciclo da água (chuvas, evaporação, infiltrações, armazenamento etc) são incertas afirmou Yann Kerr, diretor científico da missão SMOS. Por isto é necessário ter dados melhores para que se possam construir modelos climáticos confiáveis.

Para o impacto da mudança no clima em uma determinada região do globo, a disponibilidade de água contribui de forma mais importante que a temperatura.

A estimativa do conteúdo em água dos solos é considerada essencial para melhorar as previsões meteorológicas e antecipar riscos de inundações, secas ou ondas de calor. Os dados do SMOS permitirão a criação de mapas da umidade do solo com uma resolução média de 43 km.

Cobertura total

De sua órbita polar a 758 km de altitude o satélite SMOS vai varrer a totalidade da superfície do globo a cada três dias e também deve medir as variações do sal na água superficial dos oceanos, o que influi na circulação global da água na superfície do globo.

O movimento de afundamento da água fria e densa e de elevação da água quente, comparado a uma gigantesca fita transportadora oceânica, regula o clima do planeta.

Uma desaceleração desta rotação das águas, que demora até mil anos antes de voltar ao ponto de partida, pode repercutir no clima.