ONU pressiona EUA para salvar acordo do clima

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Os Estados Unidos deveriam fixar uma meta de redução de gases causadores de efeito estufa para 2020 e, dessa forma, ajudar a salvar o acordo climático previsto para ser fechado em dezembro, disse a ONU segunda-feira, durante o primeiro dia de reuniões nas quais cerca de 180 países tentam estabelecer acordos prévios a serem apresentados durante a conferência do clima em Copenhague, marcada para o mês que vem.

Delegados presentes às conversações, que vão até a sexta-feira, reiteraram que está se esgotando rapidamente o prazo para pôr fim ao impasse em torno da divisão dos cortes entre países ricos e pobres e das maneiras de levantar bilhões de dólares necessários para ajudar as nações em desenvolvimento a combater as mudanças climáticas.

Precisamos de um alvo claro dos Estados Unidos em Copenhague disse Yvo de Boer, chefe do Secretariado para as Mudanças Climáticas da ONU. Essa é uma peça essencial do quebra-cabeça.

Segundo maior emissor mundial de gases, atrás apenas da China, os Estados Unidos são o único país industrializado que não assinou o Protocolo de Kyoto, da ONU, que determinou reduções na emissão de gases até 2012. O Senado dos EUA discute um projeto de lei que reduziria as emissões norte-americanas em cerca de 7% abaixo dos níveis de 1990, até 2020.

A Dinamarca, anfitriã do encontro que terá lugar em Copenhague entre 7 e 18 de dezembro, e a União Europeia também exortaram o presidente Barack Obama a fazer mais para possibilitar um acordo na reunião do próximo mês.

Já vimos uma mudança real e significativa na posição norte-americana, mas ainda precisamos de mais disse o ministro do Meio Ambiente sueco, Andreas Carlgren, cujo país detém a Presidência rotatória da União Europeia.

O chefe da delegação norte-americana em Barcelona, Jonathan Pershing, tentou defender a postura dos EUA, alegando que o país está engajado no acordo da ONU.

A ideia de que os EUA não estariam fazendo esforço suficiente é incorreta disse Pershing, apontando para uma série de medidas tomadas durante a Presidência de Obama para promover a energia limpa e reduzir emissões.

Analistas creem que Obama não quer repetir os erros da administração Bill Clinton, que assinou o acordo de Kyoto mas não conseguiu fazer o tratado ser ratificado pelo Senado. Já o ex-presidente George Bush alegou que Kyoto custaria empregos a seu país e que o texto não definiu metas para países em desenvolvimento como a China e a Índia.

As nações em desenvolvimento dizem que os países ricos deveriam reduzir suas emissões até 2020 em pelo menos 40% em relação a 1990 um corte muito maior do o oferecido atualmente.

Enquanto isso, os países desenvolvidos afirmam que as nações mais pobres também precisam fazer mais até 2020 para reduzir suas emissões.

Os maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa são China, Estados Unidos, Rússia e Índia.