Combate à Aids ainda tem enormes desafios, dizem especialistas

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BALI - Sanitaristas de vários países defenderam nesta segunda-feira a revogação de antiquadas leis contra a prostituição e a homossexualidade, para que portadores do vírus da Aids e pessoas em situação de risco possam receber tratamento médico.

- O principal desafio é superar toda a questão do estigma e da discriminação, revogando leis e legislações ultrapassadas que (alguns) países têm - disse Prasada Rao, diretor da equipe de apoio da Unaids (agência da Organização das Nações Unidas contra a Aids) na Ásia/Pacífico, que participa de uma conferência de quatro dias sobre o assunto, a partir desta segunda-feira.

Os especialistas disseram que, embora tenha havido progressos na pesquisa e tratamento da Aids, ainda há enormes desafios pela frente. - Todo este progresso não é significativo se não tratarmos do estigma e da discriminação nesta região. Crianças pequenas (seja as infectadas ou as que têm familiares infectados) ainda estão sendo expulsas das escolas - disse Rao na conferência. - Isso precisa mudar. Senão, o progresso não é possível - enfatizou.

Mais de 25 anos depois de o vírus HIV ser identificado, ainda há forte preconceito contra grupos de maior risco, como homens homo ou bissexuais e prostitutas.

Em todos os lugares do mundo, a criminalização de comportamentos envolvendo o uso de drogas ilícitas, a prostituição e o sexo entre homens prejudica seriamente os programas de prevenção e apoio, segundo ativistas.

- Para os homens homossexuais, precisamos alcançar essas pessoas, mas se o seu comportamento é criminalizado, eles não vão aparecer para dizerem que precisam de ajuda. Esse é um caso clássico de conflito entre a saúde pública e a segurança pública - disse Loretta Wong, que dirige a entidade Aids Concern, com sede em Hong Kong.

- Se eles não receberem acesso a serviços e tratamento, sua saúde não pode ser monitorada, eles não serão submetidos a exames. Em vez disso, serão levados ao submundo, e haverá o risco de as infecções aumentarem - acrescentou.

A conferência também ouviu fortes apelos por mais acesso ao tratamento. Especialistas dizem que mulheres e crianças são particularmente excluídas. - Deveríamos estar atingindo o acesso universal até 2010. Não vamos cumprir estas metas particularmente no tratamento - afirmou David Cooper, professor de Medicina e diretor do Centro Nacional de Epidemiologia e Pesquisa Clínica do HIV, da Austrália.

Ao longo de 2007, o número de pessoas que recebiam drogas para controlar o HIV cresceu quase 950 mil, chegando a cerca de 3 milhões. Isso, no entanto, significa uma cobertura de apenas 31% das pessoas necessitadas.