Gripe Suína: Hospitais privados querem estoque mínimo em maternidades

Ubirajara Loureiro e Gabriel Costa, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O sistema privado de saúde da cidade, congregado no Sindicato de Hospitais e Clínicas Particulares do Rio de Janeiro (Sind-Rio), reúne cerca de 40 estabelecimentos e se diz apto a atender ao aumento de demanda de consultas em decorrência do surto de gripe H1N1. Mas reivindica que o Estado, que centraliza a realização de exames e a distribuição de medicamentos, providencie estoques mínimos nas unidade materno-infantis, cujos pacientes são mais suscetíveis aos problemas causados pela epidemia.

A informação foi dada pelo presidente do Sind-Rio, Josier Villar, que faz ressalvas à logística montada pelo Estado para enfrentamento da epidemia de gripe:

Acho que de que ser dada ênfase à melhoria da logística de distribuição de medicamentos, especialmente nos hospitais materno-infantis, porque o risco maior da epidemia ocorre nesse grupo de pacientes.

O médico faz questão de destacar que, muitas vezes, a preocupação do público, embora compreensível, não tem base na realidade :

Criou-se uma expectativa grande quanto à complexidade da doença, o que acabou não se configurando na realidade, embora haja situações mais preocupantes, como o atendimento a grávidas, às crianças e aos pacientes com obesidade mórbida. Estas são situações clínicas mais complicadas e que precisam de uma abordagem diagnóstica e terapêutica.

Villar citou ainda o fato de que a ocorrência de gripes e resfriados é mais intensa durante o inverno, ressaltando que, sem febre alta, não se caracteriza a síndrome gripal.

Por isto, o médico é cauteloso ao abordar a predominância do Estado na centralização da questão terapêutica dos casos, com o protocolo de atendimento do Ministério da Saúde. Só os organismos públicos podem fazer o exame de diagnóstico da gripe. Os laboratórios privados, não. O estado centraliza também a distribuição do medicamento nos casos de contaminação confirmada.

Mesmo sem formular qualquer crítica aberta, Josier Villar admite que o fluxo de atendimento está meio confuso , pois o aumento do fluxo de consultas não se dá de maneira organizada e registram-se lentidões, devido à necessidade de envio do material para exames, nos três laboratórios autorizados e depois na busca do medicamento para casos confirmados. Outro ponto importante, segundo o presidente do Sind-Rio, é a necesidade de se melhorar o acesso à distribuição de medicamento específico.

Uma solução seria criar um estoque mínimo de medicamentos em cada emergência privada para uso em casos comprovados de gripe H1N1, para agilizar o tratamento das pessoas diz Villar.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, admitiu na semana passada que não há médicos na cidade para atender a toda a demanda e afirmou que criaria uma rede paralela para cuidar de pessoas com sintomas de gripe, com profissionais contratados em caráter emergencial em seis bairros.

Paes admitiu que as deficiências da rede de atenção básica fazem com que as pessoas procurem socorro nas emergências dos hospitais, e autorizou a contratação emergencial de profissionais.

No Rio Grande do Sul, para atender à demanda crescente de leitos, a secretaria de Saúde do estado determinou a suspensão temporária de cirurgias eletivas para liberar vagas para as vítimas da gripe.

O centro de pesquisa biomédica Instituto Butantan, em São Paulo, garantiu que, embora a quantidade de vacinas contra o vírus H1N1 a ser produzida no Brasil ainda não tenha sido definida, tem capacidade para fabricar 44,2 milhões de doses do produto em um ano. O plano de combate à gripe no país, em articulação desde junho entre o órgão e empresas estrangeiras que testam a vacina, deve ser apresentado ainda esta semana.