Hospital e UPA não dão conta de tantos casos de gripe

Camilla Lopes, Jornal do Brasil

RIO - Após o anúncio do primeiro caso de morte por gripe suína no Rio de Janeiro e depois de o Ministério da Saúde ter afirmado que, mesmo sem ter contato com pessoas vindas do exterior, pode-se contrair a gripe suína, duas unidades hospitalares na Zona Norte do Rio ficaram lotadas de pessoas com sintomas de gripe.

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Tijuca, muitas crianças e adolescentes com visíveis sintomas de gripe lotavam a sala de espera na emergência, por volta das 15h de ontem.

O faxineiro Dalmo José Fernandes faltou ao trabalho para acompanhar o filho de 17 anos até a unidade. Segundo Dalmo, o adolescente apresentava, desde o início desta semana, sintomas como febre, tosse e dores musculares. Após o emagrecimento rápido do rapaz, o pai decidiu levá-lo à UPA.

Está cheio de crianças tossindo lá na emergência. Estou aqui desde as 10h da manhã sem comer nada. Não pude acompanhar meu filho. Disseram que ele já é grande e poderia ir sozinho. Nem sei se ele está com alguma coisa pior do que uma simples gripe afirmou o faxineiro.

A espera na UPA da Tijuca também afligia a aposentada Maria Luiza França, que levou a afilhada de 8 anos para ser atendida na emergência. A criança apresentava fortes sintomas de gripe, como dor de cabeça e febre de 38 graus.

Vim do Hospital Henrique Valadares (no Centro do Rio) e lá não teve atendimento. Depois cheguei aqui no meio da manhã. Ainda estou esperando.

Andaraí

No Hospital do Andaraí, a situação parecia ainda pior. Por volta das 15h30, uma grande fila de pessoas aguardava atendimento do lado de fora da emergência. Revoltada, a auxiliar de serviços gerais Rose Vicente tremia de frio devido à febre de 38 graus.

Eu não estou aqui à toa. Não dormi bem e estou com febre, tosse e com dor no corpo. Cheguei aqui às 10h e já passa de 15h30. São mais de cinco horas esperando.

Os pacientes que aguardavam atendimento no Andaraí também reclamaram de não terem recebido máscaras de proteção, enquanto enfermeiros, funcionários e médicos portavam o equipamento de segurança contra o vírus H1N1.