Software de filtragem chinês enfrenta obstáculos no mercado

REUTERS

PEQUIM - Os mais recentes controles da China sobre a Internet foram criticados por Washington e pelos defensores dos direitos dos usuários, mas talvez o verdadeiro desafio para o plano 'Green Dam' seja o mercado de computadores do país, um anárquico bazar digital.

A partir da quarta-feira, o governo ordenou que os computadores pessoais vendidos na China saiam da fábrica equipados com o software de filtragem 'Green Dam', cujo objetivo é bloquear imagens obscenas e, dizem os críticos, reprimir a dissidência política.

Propostas como essas parecem fáceis em um regime de partido único, e esta é apenas a mais recente das iniciativas do Partido Comunista para controlar a Internet, que tem cerca de 300 milhões de usuários na China, de acordo com o China Internet Network Information Center.

Mas uma caminhada pelo bairro de Zhongguancun, na região noroeste de Pequim, o polo central do mercado digital chinês, revela obstáculos a esses controles que parecem tão numerosos quanto as lojas e mascates que oferecem computadores, software e pornografia.

Apesar de todos os protestos internos e internacionais quanto ao 'Green Dam', muitos comerciantes que terão de vender computadores equipados com o software ignoram a questão ou a desconsideram.

- O que vem a ser 'Green Dam' - perguntou Wu Baobao, uma mulher na casa dos 20 anos que vende laptops Dell no ruidoso shopping de eletrônicos Hailong.

- Quando você comprar um computador depois de 1o de julho, ele virá com esse software. Mas não se preocupe... nós podemos removê-lo facilmente - ela disse, depois de consultar um colega em uma barraca vizinha.

As multinacionais se preocupam há anos com a incapacidade do governo chinês de reprimir a venda de software pirata a uma fração do preço das cópias legítimas.

Agora, esse mercado desregrado pode frustrar os censores e garantir que o 'Green Dam' seja excluído ou ignorado com muito mais frequência do que usado.

- O plano do 'Green Dam' é uma séria violação das regras de mercado. Governos não deveriam impor uma marca específica de software - disse Mao Shoulong, professor de administração pública na Renmin University, perto de Zhongguancun.

- Mas na prática o impacto será limitado. O software é opcional e é difícil controlar um varejo assim fragmentado - disse Mao.